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36% das famílias de Salvador dizem estar mais seguras no emprego, aponta Fecomércio-BA

Sistema Comércio
1 de agosto de 2022
36% das famílias de Salvador dizem estar mais seguras no emprego, aponta Fecomércio-BA

Há um ano, o percentual era de 25,1%. Melhora no mercado de trabalho ajuda a subir, pelo 3º mês seguido, a intenção de consumo das famílias.

O ICF – Índice de Intenção de Consumo das Famílias, elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, avançou pelo 3º mês seguido e chega aos 87,1 pontos em julho, alta de 2,1% na comparação mensal, e sobe 15,6% no contraponto anual.

O ICF varia de 0 a 200 pontos. Entre 0 e 100 pontos é considerado um nível de insatisfação com as condições econômicas. Já o intervalo de 100 a 200 pontos a avaliação de satisfação. Quanto mais próximo dos extremos, 0 e 200, mais o sentimento é pessimista/otimista.

E o que tem mais contribuído para o aumento do indicador é a melhora no sentimento do emprego, tanto na atual situação, quanto num olhar para o futuro próximo. “O item Emprego Atual, por exemplo, cresceu 2,8% ao passar de 110,9 pontos em junho para os 114 pontos de julho. São 36% das famílias que dizem estar mais seguras no trabalho atual em relação ao mesmo período do ano passado. E há um ano, o percentual de respostas positivas era de 25,1%”, destaca o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

E se o mercado de trabalho está mais aquecido, naturalmente as avaliações para os meses seguintes tendem a melhorar. É isso o que foi visto no item Perspectiva Profissional que registrou alta mensal de 3,6% e se posiciona em 118,5 pontos. “Em termos percentual de respostas, 54,9% das famílias dizem que deve haver uma melhoria profissional para o responsável do domicílio nos próximos 6 meses. Em julho do ano passado, o percentual foi de 33,6%”, aponta Dietze.

Outra alta importante no mês foi do item Acesso a Crédito, de 3,6% e indo aos 85 pontos. Em relação a julho do ano passado, houve retração de 10%. A oferta de crédito está mais seleta do que há um ano, mas recentemente, dada o esfriamento de alguns setores varejistas, tem-se estimulado a compra através dos carnês.

Contudo, o item Momento para Duráveis mostra que, por mais que haja uma relativa facilitação, a maioria das famílias de Salvador considera um mau momento para compras de bens como geladeira, fogão, televisor e etc. Esse item recuou 3,8% e volta aos 39,9 pontos. Em termos percentuais, são 77,4% de respostas negativas.

“Mas é compreensível que as famílias estejam focando seus gastos nos bens essenciais, sobretudo em alimentos, dado o processo inflacionário. Até porque, mesmo com mais gente empregada, a renda não tem evoluído da mesma forma, pois os preços mais altos estão corroendo esse ganho. Tanto que o item Renda Atual apresentou ligeira alta de 0,9% e se situa nos 95,9 pontos. De qualquer forma, o atual patamar é 5,9% superior ao visto no mesmo período do ano passado”, comenta Dietze.

Assim, com a renda crescendo pouco e o foco em consumo específico, o item Nível de Consumo Atual indica que não há muito espaço para aumentar os gastos. Em julho, o item caiu 2,4% e retorna aos 61,5 pontos e ainda está 2,5% abaixo do nível do mesmo mês de 2021.

Porém, com a expectativa de contínua melhora no emprego e de uma inflação mais moderada, a avaliação para os próximos meses é mais positiva. O item Perspectiva de Consumo cresce 4,7% ao passar de 90,7 pontos em junho para os atuais 95,1 pontos. Há um ano, o nível estava em 74,8 pontos, ou seja, avanço de 27%.

E na análise por faixa de renda, o ICF subiu mais para o grupo de famílias com renda inferior a 10 salários-mínimos, de 2,1% contra 1,3% dos que ganham acima desse valor. No entanto, o índice do primeiro grupo está num patamar inferior, de 85,1 pontos, enquanto para a faixa mais rica, o ICF foi de 109,1 pontos. Enquanto para os que ganham menos o indicador cresceu 19,2% em um ano, para os que recebem mais o índice recuou 7%.

“Os dados do ICF de julho mostram que emprego e inflação são as variáveis chaves para o aumento de consumo. A melhora no mercado de trabalho é importante, mas os ganhos são diminuídos quando a inflação está muito elevada. A tendência, porém, é que os preços comecem a arrefecer ao longo do segundo semestre. Os combustíveis serão os destaques de queda de preços e que trará ânimo ao consumidor”, esclarece Dietze.

O economista também pontua que, “esse cenário é animador para o empresário do comércio da região de Salvador, pois se a inflação fica mais controlada, o consumidor, que está mais seguro no seu emprego, vai, no curto prazo, pagar dívidas atrasadas e aumentar o seu consumo, principalmente nos setores não essenciais”.

Portanto, a tendência é favorável. Mesmo com os juros elevados, a inflação está arrefecendo, está se criando mais emprego e vai haver uma injeção importante de recursos do Auxílio Brasil. Essa é uma combinação muito positiva para os consumidores que, por consequência, dará uma tração maior para a economia local.