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4 a cada 10 famílias em Salvador estão com contas em atraso, maior nível em 11 anos, aponta Fecomércio-BA

Sistema Comércio
27 de julho de 2022
4 a cada 10 famílias em Salvador estão com contas em atraso, maior nível em 11 anos, aponta Fecomércio-BA

De acordo com a PEIC – Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Fecomércio-BA, o percentual de famílias com contas em atraso em Salvador, no mês de julho, foi de 40,4% ante os 38,2% de junho, ou seja, 4 a cada 10 famílias. Além de ter sido a sexta alta consecutiva, o atual patamar é o mais elevado em 11 anos.

E na comparação com o ano passado, houve aumento de 12,6 pontos percentuais ou, em termos absolutos, 118,3 mil famílias que passaram a ficar inadimplentes para um total atual de 377,3 mil que precisam quitar o compromisso atrasado.

“A Fecomércio-BA tem alertado que os preços altos e o custo caro do crédito têm atrapalhado as finanças domésticas. Além disso, embora haja a retomada do emprego, os novos postos de trabalho estão sendo com salários mais baixos, o que não tem sido suficiente para contrapor a inflação”, destaca o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

E esse cenário traz preocupação para a economia local, pois de acordo com Dietze, as famílias ficam limitadas a aumentar os gastos nos comércios e serviços. “Sendo assim, para uma retomada mais forte da atividade econômica, as famílias precisam dar um passo atrás, pagar as dívidas em atraso, para depois conseguirem expandir o consumo de forma mais segura”, salienta o economista.

O endividamento, por outro lado, apontou recuo em julho, ao passar de 67,1% em junho para os atuais 65,2%.

Um ano antes, o percentual era ainda mais alto, de 68,2%. São, atualmente, 608,7 mil famílias em Salvador que possuem algum tipo de dívida e não necessariamente com atraso”, destaca o consultor econômico da Fecomércio-BA.

E das principais dívidas, o destaque, como sempre, é o cartão de crédito com 87,6% dos endividados. Depois vem o crédito consignado com 8,1%, seguido de crédito pessoal, com 6,8%, percentual próximo dos 6,2% dos carnês.

“É interessante pegar os dados do ano passado para captar o que está acontecendo neste momento. Tirando da análise o cartão de crédito, que sempre está no topo da lista, os carnês eram destaques em julho de 2021 e agora ficam na quarta posição. Ao mesmo tempo em que o crédito consignado sai de 5,5% para 8,1% no período”, analisa o economista.

Com o aumento de juros, os carnês perderam a atratividade dos consumidores. De acordo com Dietze, no caso do consignado, usa-se dessa modalidade, além do consumo, para pagamento de despesas do dia a dia, sendo a grande dificuldade no momento. “Embora, o cenário indique que o crédito está sendo contraído para necessidades básicas, o consignado é a melhor opção por ter a menor taxa de juros, dada a garantia do rendimento mensal”, salienta o consultor econômico.

Outro ponto negativo na pesquisa é o tempo de pagamento em atraso, com média de 65 dias, maior período desde janeiro do ano passado.

“Isso é um problema, pois quanto mais tempo sem quitar, mais juros são cobrados. Por isso, a importância de quitar o compromisso atrasado o mais rápido possível através de planejamento e qualquer renda extra”, aponta Guilherme Dietze.

E na análise por faixa de renda, a situação é mais crítica para quem ganha menos. O endividamento do grupo de famílias com renda até 10 salários-mínimos foi de 66,9%, redução em relação aos 69,2% do mês anterior. No entanto, a inadimplência atingiu 42,4% das famílias, 12,2 pontos percentuais acima do visto no ano passado (30,2%).

Para a outra faixa de renda, acima dos 10 salários, ambas as taxas cresceram no mês. O endividamento passou de 45% para 47,3% e a inadimplência saiu de 18,9% para os atuais 21,9%, mais do que o dobro em relação a julho de 2021 (8,8%). Assim, fica claro que a crise tem efeitos para todas as classes sociais.

De acordo com Dietze, “a PEIC de julho traz uma realidade muito dura para as famílias de Salvador e difícil de ser resolvida, de forma significativa, no curto prazo”.

Além disso, o economista salienta que, “a queda nos preços da gasolina e do etanol é um começo do alívio no bolso do consumidor. A tendência é favorável e deve aumentar o poder de consumo, dando condições para as famílias terem um fôlego a mais para quitar as dívidas em atraso”.

Portanto, a expectativa é de melhora gradual ao longo do segundo semestre, sendo uma perspectiva mais otimista para as vendas no comércio, pois as famílias vão equilibrando aos poucos as contas, abrindo novos espaços para o consumo.