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PEIC 2021 | JULHO

PEIC
1 de novembro de 2021

68,2% de famílias endividadas em Salvador, maior patamar desde setembro 2013, aponta Fecomércio-BA

Em julho, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborado pela Fecomércio-BA, registrou 68,2% de famílias endividadas, maior percentual desde setembro de 2013 e acima dos 64,8% vistos no mês anterior. Atualmente, são 635 mil famílias que possuem algum tipo de dívida na capital baiana. 

Até então, o aumento do endividamento não estava gerando alertas, pois o nível de inadimplentes estava caindo no início do ano e ficou estável no entre abril e maio. No entanto, ao passar de 25,7% em junho para os atuais 27,8%, começa a indicar que a inflação tem complicado a organização financeira das famílias. Esse percentual significa que 259 mil famílias não conseguiram pagar a dívida até a data do seu vencimento. 

Tanto que, entre os endividados, aumentou o percentual com dívida no cartão de crédito, atingindo os 92,4%. São famílias que não estão conseguindo arcar com o consumo através da renda própria e precisam do crédito, no parcelado, para manter os gastos nos supermercados, farmácias e demais compras. 

Os carnês seguem na segunda posição, com 10,6% entre os endividados. É uma modalidade importante para o comércio e que atrai muitos consumidores nas compras de produtos com valor mais alto como os eletrodomésticos.  

A inflação, de fato, é o grande problema neste momento. Na região metropolitana de Salvador, os preços sobem em média 7,84% nos últimos 12 meses. No entanto, os grupos que mais pesam no orçamento das famílias estão com aumento maior, como é o caso dos alimentos e bebidas que crescem 11,43% e dos transportes, 15,10%. Outros preços como da energia elétrica e do botijão de gás subiram 19,15% e 27,88%, respectivamente. 

E quem mais sofre com a inflação são as famílias com renda mais baixa. O percentual de famílias que ganham até 10 salários-mínimos e que estão endividadas é de 71,2%, enquanto o percentual para os que ganham acima desse valor é de 37,1%. 

Já a inadimplência, a diferença fica de 30,2% contra 8,8%. As famílias de renda mais baixa não possuem, em média, um suporte financeiro de investimentos para se proteger em momentos como este, da pandemia do coronavírus.  

O problema é que a inflação não é um problema pontual, mas estrutural e que deve permanecer elevada pelo menos até 2022. Desta forma, se não houver uma geração de empregos mais forte, o cenário continuará sendo de alerta. Só não leva a um quadro muito mais desfavorável, pois os bancos e financeiros se antecipam, fechando a torneira do crédito ou abrindo espaço para renegociação. 

O crédito tem ajudado a sustentar o consumo de curto prazo, mas para o longo prazo há a necessidade de uma outra conjuntura econômica, mais favorável.