FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

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COMÉRCIO BAIANO | NOVEMBRO 2022

Área do Conhecimento
13 de janeiro de 2023

COMÉRCIO BAIANO CAI 5,2% EM NOVEMBRO, MAS SETORES LIGADOS À BLACK FRIDAY CRESCEM ACIMA DA EXPECTATIVA, CALCULA FECOMERCIO-BA

 

Faturamento das farmácias é o maior em 10 anos.

 

O varejo baiano registra mais uma retração no penúltimo mês do ano passado. De acordo com estudo da Fecomércio-BA, com base nos dados do IBGE, em novembro, o faturamento foi de R$ 10,2 bilhões, queda de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nos onze meses do ano, o comércio apresenta recuo acumulado de 4,5%, representando uma diminuição, em valores absolutos, de quase R$ 5 bilhões de movimentação no setor.

Apesar de resultado desfavorável, os setores que estão ligados mais diretamente com a Black Friday tiveram um crescimento médio de 1,3%, enquanto a expectativa da Entidade era de um aumento mais modesto, de 0,5%, o que mostra o apetite que o consumidor teve no final de ano, principalmente com a injeção do 13º salário.

O setor de eletrodomésticos e eletrônicos, pioneiros no evento no Brasil, registrou aumento no faturamento de 4% em novembro, atingindo R$ 1,68 bilhão de reais. Embora os juros estejam elevados, encarecendo o crédito, as vendas são estimuladas pelas grandes oportunidades de preços dos eletroeletrônicos.

Os supermercados apontaram faturamento de R$ 1,6 bilhão, alta de 9,6% em comparação com novembro de 2021. A chegada do 13º salário foi um grande combustível para o consumo no setor no último bimestre, uma vez que os preços estavam mais elevados.

Outro destaque em novembro foi do setor de farmácias e perfumarias, com alta anual de 12,4% e o faturamento de R$ 1,24 bilhão é o maior para o mês em 10 anos. É uma combinação de fatores que levaram a esse

desempenho positivo. Os investimentos em ampliação de lojas pelo estado, aumento nos preços dos produtos de remédios e de higiene e beleza, além da demanda aquecida, também influenciada pelo 13º salário.

Pelo lado negativo das vendas, chama a atenção, mas não é surpresa, a queda de 26,7% no setor de veículos e motos. O crédito caro e seleto e os preços dos automóveis nas alturas dificultam o avanço do consumo nesse setor.

Também impactada pelos juros, as lojas de móveis e decoração apontaram retração anual de 16,1%. Esse segmento é impactado pelo esfriamento do mercado imobiliário, o que influencia da mesma forma na queda de 9% nas vendas de materiais de construção.

Os demais recuos foram de vestuário e do grupo Outras Atividades, ambos com variação de -6,5% no contraponto anual. Esse segundo, o grupo Outras Atividades, tem forte participação do comércio de combustíveis. Assim, dada a redução nos preços no final do ano passado, é natural que afete também o faturamento do setor.

O resultado geral do varejo na Bahia ainda é insuficiente, mas não há milagres quando se tem uma taxa básica de juros a 13,75% ao ano e níveis recordes de famílias inadimplentes. A expectativa é que haja uma geração mais forte de emprego em 2023 e, ao mesmo tempo, uma inflação mais equilibrada, permitindo um aumento no poder de compra, impulsionando as vendas no comércio, não restringindo somente aos bens essenciais.