FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

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COMÉRCIO NATAL E 2022

Área do Conhecimento
10 de fevereiro de 2023

COMÉRCIO BAIANO RETRAI 4,3% EM 2022 E PERDE R$ 5,2 BILHÕES, CALCULA FECOMERCIO-BA

 

Juros altos, inadimplência e inflação prejudicaram vendas de Natal e do ano.

 

O comércio varejista no estado da Bahia registrou um faturamento de R$ 11,2 bilhões no mês de dezembro, período do Natal. O montante é 2,7% menor em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados são do levantamento mensal da Fecomércio-BA com base nas informações do IBGE. E esse resultado ficou abaixo das expectativas da Entidade, que projetava um ligeiro aumento de 0,6%.

Com o resultado do mês, o varejo baiano encerra o ano com um faturamento de 116,2 bilhões de reais, queda de 4,3% em relação a 2021. Em termos absolutos, significa uma perda de movimentação de R$ 5,2 bilhões no setor, no estado. Lembrando que no ano anterior, o desempenho do comércio havia sido positivo em 7,1%, até por conta dos estímulos feitos ao consumo, principalmente com a redução significativa da taxa de juros.

Sob a ótica do mês de dezembro, dos oito setores analisados, somente três ficaram no negativo, mas foram suficientes para influenciar no desempenho geral. A maior queda foi do segmento de veículos e motos com forte retração de 24,8%. Em seguida, o setor de materiais de construção com recuo de 4,8% e farmácias e perfumarias, com queda de 1,7%, primeira variação negativa após um ciclo de 13 meses de altas.

Pelo lado positivo, o destaque vai para o setor supermercadista com alta de 10,1% no contraponto anual. A segunda maior variação foi do segmento de vestuário, tecidos e calçados, de 3,2%. São duas atividades que tem grande representatividade no período natalino, quando os consumidores concentram os seus gastos, seja de presentes, seja para

consumo próprio ou familiar. Certamente esses desempenhos foram beneficiados com os recursos do 13º salário recebidos no final do ano passado.

As demais elevações foram de: lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (1,3%), outras atividades (0,8%) e móveis e decoração (0,2%).

No olhar para o ano de 2022, foram quatro setores que registraram retração nas vendas. A maior variação foi do segmento de móveis e decoração, de -23,6%. No entanto, dado o seu baixo faturamento, o impacto no resultado geral foi reduzido.

As atividades que mais influenciaram a retração no ano foram as lojas de eletroeletrônicos, com queda acumulada de 17,4% e as concessionárias de veículos e motos, de -10,8%.

As lojas de materiais de construção também tiveram um desempenho negativo, mas com variação um pouco mais modesta, de -5,9%.

Todos esses setores que apontaram para o campo negativo possuem um grau elevado de dependência do financiamento, do crédito. Com o ciclo de expansão da taxa de juros, a SELIC, hoje em 13,75% ao ano, dificultou o consumo dos produtos chamados de duráveis.

No lado positivo, dois setores se destacaram, o de vestuário e de farmácias. O primeiro registrou alta de 11,4%, impulsionado pela demanda aquecida, dado o retorno à normalidade sem restrições e, ao mesmo tempo, pelo aumento dos preços dos produtos.

As farmácias, por sua vez, tiveram um aumento de 11,5% e o faturamento de R$ 14,6 bilhões é o maior já registrado na série analisada pela Fecomércio-BA, desde 2012. Além da demanda crescente, está havendo a ampliação de estabelecimentos pelo estado, o que contribui para o montante maior movimentado.

As vendas nos supermercados atingiram R$ 18,9 bilhões no ano, o que representa um aumento de 4,5%. A inflação de alimentos contribuiu para o maior faturamento, mas não anula o fato da priorização dos gastos das famílias nos bens essenciais ao longo de 2022.

Somente o grupo de outras atividades ficou estável no ano, com o mesmo faturamento de 2021, já corrigido pela inflação.

Embora os resultados, no mês e no ano, tenham sido desfavoráveis, é importante ressaltar que a maioria dos setores, em dezembro, apontou para o lado positivo e no ano, houve uma divisão igual. O que tem definido o desempenho de cada setor, basicamente, é a sua natureza, se é sensível ou não a variável crédito.

Com a inflação elevada no ano passado, também provocou o número recorde de famílias inadimplentes, com contas em atraso, e dificultou ainda mais o desempenho de vendas dos setores com ofertam produtos com preços mais elevados.

E, de fato, o resultado efetivo, mesmo abaixo das expectativas da Fecomércio-BA não foi nenhuma grande surpresa. O cenário estava desafiador para consumidores, com inflação alta, crédito caro e muitas famílias com contas em atraso.

Neste início de ano, a inflação continua apertando e os juros se mantem num patamar elevado, mas a inadimplência começou a ceder. Portanto, a tendência, no curto prazo, é que siga com o ritmo similar ao visto no final do ano passado.