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ICEC | ABRIL 2024

ICEC
3 de maio de 2024

CONFIANÇA DOS EMPRESÁRIOS DO COMÉRCIO CAI 2,1% EM ABRIL EM MEIO AS INCERTEZAS DA ECONOMIA, AVALIA FECOMÉRCIO-BA

Alta nas vendas não tem se revertido em aumento de otimismo, sobretudo por conta dos altos custos dos empresários.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) volta a cair e, em abril, atinge os 110,8 pontos, queda de 2,1% na comparação com março e de -5,4% no contraponto anual.

O ICEC varia de 0 a 200 pontos, sendo que valores entre 100 e 200 pontos indicam confiança dos empresários de Salvador, enquanto valores de 0 a 100 pontos refletem pessimismo. Quanto mais próximo dos extremos (0 ou 200 pontos), maior a confiança ou pessimismo dos empresários do comércio.

Pode parecer contraditório, como a confiança do empresário vem caindo e, ao mesmo tempo, as vendas sobem 4,6% no primeiro bimestre, por exemplo, como aponta o levantamento da Fecomércio-BA? A questão é saber qual é o motivo da preocupação desses empresários.

Isso porque, tanto na análise conjuntural quanto na ótica da expectativa, as quedas mais fortes e que puxam o ICEC pra baixo estão nas avaliações sobre a economia brasileira e menos sobre o próprio negócio. O índice das condições atuais do empresário do comércio, o ICAEC, por exemplo, retraiu 1,9% em abril e voltando aos 90,8 pontos. A avaliação sobre a economia está em 82,7 pontos, enquanto o índice que tem um olhar para as empresas comerciais está em 104,6 pontos, no patamar de otimismo.

Nos questionamentos de longo prazo, que compõem o índice de expectativa dos empresários do comércio, o IEEC, o nível está mais alto de 145,6 pontos. No entanto, a avaliação da economia está relativamente mais baixa, de 137,3 pontos contra 154,8 pontos das próprias empresas.

Mesmo havendo um sentimento de as vendas possam estar indo num nível aceitável, o fato das incertezas econômicas interfere nas decisões gerais, inclusive em se tratando em contratações e investimentos. O índice de investimento do empresário do comércio, o IIEC, retraiu 2,4% em abril e recua para os 95,9 pontos.

Quem puxou foi a queda de 3,5% no indicador de contratação e de -5,4% na situação dos estoques, no qual os empresários estão reduzindo a avaliação mais adequada da quantidade de produtos armazenados para venda.

Vale adicionar também que, embora as vendas sigam subindo em quase todos os segmentos do varejo, os resultados financeiros continuam pressionados pelos altos custos dos empresários, operacionais e financeiros, diminuindo a margem e até levando ao prejuízo.

Essa tendência tem sido vista não somente em Salvador, mas nas demais regiões do Brasil, pois há uma dificuldade geral de enfrentar os custos mais elevados. De qualquer forma, embora haja esses desafios de gestão, o cerne da questão que o ICEC aponta é das incertezas econômicas do Brasil, com a dificuldade do país crescer mais forte, até pelo fato do governo não conseguir equilibrar as suas contas conforme havia anunciado. Como não é um problema a ser resolvido de curto prazo, o ICEC seguirá pressionado nos próximos meses