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ICF 2021 | DEZEMBRO

ICF
3 de janeiro de 2022

INTENÇÃO DE CONSUMO EM SALVADOR CHEGA AO MAIOR NÍVEL DESDE ABRIL, APONTA FECOMERCIO-BA

Oportunidades de emprego temporário animam consumidores da capital baiana.

Em dezembro, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, registrou elevação de 4,3%, ao passar de 78,2 pontos para os atuais 81,5 pontos. Esse é o maior nível do ICF desde abril deste ano, quando a pontuação foi exatamente a de agora, 81,5 pontos. Também houve avanço na comparação com dezembro de 2020, de 4,9%, quando naquele mês o indicador atingia os 77,7 pontos.

O que chama a atenção no resultado deste final de ano são os itens relacionados ao emprego. O Emprego Atual subiu 6,1% e atinge os 97,9 pontos, e o Perspectiva Profissional avançou 8,7% e se situa nos 77,2 pontos. Além da melhora gradual do mercado de trabalho, nesta época do ano aquecem as contratações de funcionários temporários para trabalharem nas vendas do Natal, o que traz uma sensação de mais segurança de mais oportunidades no futuro próximo.

Além da questão do mercado de trabalho, a injeção do 13º salário também trouxe um alívio no bolso dos consumidores. O item Renda Atual subiu 4% e atinge os 96,2 pontos. Porém, há outro ponto interessante do ICF. Enquanto o item Nível de Consumo Atual fica praticamente estável com variação de -0,2% e nos 67,7 pontos, o item Perspectiva de Consumo cresceu 6% e sobe para os 88,6 pontos.

Esses números podem indicar que o recurso foi muito bem-vindo aos trabalhadores, mas por estarem num nível bastante elevado de endividamento, a prioridade será pagar os compromissos feitos e as contas em atraso. Somente a partir do equilíbrio das contas os consumidores pensam em ampliar os seus gastos.

E mesmo com produtos com descontos como foi o caso da Black Friday e, agora, no Natal, os consumidores não estão avaliando como um bom momento para compra de produtos como geladeira, televisor, fogão, etc. O item Momento para Duráveis cresceu somente 1% e fica nos 42,7 pontos, sendo a pior avaliação no mês entre os itens analisados pelo ICF. Vale ressaltar que as famílias estão sem grandes espaços no orçamento para compras maiores e que necessitam, em grande parte, de financiamento. Além disso, o crédito está bem mais caro do que no início do ano, o que torna menos atrativo a compra destes produtos, chamados de duráveis, neste momento.

Mesmo assim, com crédito mais caro, as famílias ainda encontram certa facilidade de contrair empréstimos para compras a prazo. O item Acesso a Crédito avançou 2,6% e volta ao patamar otimista, de 100,1 pontos. Como mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, a PEIC, do total de endividados, 92% estão com dívidas no cartão de crédito, que sido recorrente o seu uso para as compras do dia a dia.

E a melhora na intenção do consumo está ligada diretamente às famílias de renda mais baixa. O ICF para o grupo que ganha até 10 salários-mínimos cresceu 4,9%, enquanto para as famílias com renda superior a esse valor, houve ligeiro recuo de 0,4%. Porém, as pontuações continuam bem díspares, com 78,2 pontos para o primeiro grupo e 116,1 pontos.

O avanço do ICF da faixa de renda mais baixa está relacionado injeção do 13º salário e são eles os potenciais beneficiados pelas oportunidades das contratações temporárias.

A circunstância é mais favorável neste final de ano, mas não quer dizer que seja uma tendência. As contas tradicionais do início do ano devem impactar no orçamento da família, tal como o encarecimento do crédito e a inflação, sobretudo dos combustíveis e da energia elétrica.

Desta forma, o ICF deve continuar na área pessimista nos próximos meses, com limite de crescimento. Somente com um mercado de trabalho aquecido e consistente, levando segurança e renda para a população, que o ICF terá tração para avançar mais significativamente.