FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

Central do conhecimento

ICF 2022 | MARÇO

ICF
25 de março de 2022

INTENÇÃO DE CONSUMO APRESENTA ESTABILIDADE EM MARÇO, SE MANTENDO EM NÍVEL DE PESSIMISMO, APONTA FECOMERCIO-BA

O que tem segurado a avaliação das famílias é o mercado de trabalho relativamente mais favorável. Mas inflação impede aumento de consumo.

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, apontou estabilidade técnica em março, ao atingir 83,2 pontos ante 83,1 pontos de fevereiro, variação de 0,2%. Na comparação com março de 2021, no entanto, houve retração de 4,5%, quando o indicador estava nos 87,2 pontos.

Embora tenha tido estabilidade no mês, cinco dos sete itens analisados pelo ICF registraram queda. A maior delas foi do item Perspectiva de Consumo que recuou 3,4% no mês e volta aos 83,3 pontos. Outro item de consumo, Nível de Consumo Atual, também apresentou queda, mas de -0,5% e com 64,9 pontos.

Por esses dois, já fica evidente que o consumidor soteropolitano não está disposto em ampliar o seu consumo, no curto ou médio prazo. Evidentemente, com a inflação ganhando força neste início de ano e impactando diretamente no orçamento das famílias, fica delicado pensar em gastos além do essencial.

E a inflação é, de fato, a grande vilã do dia a dia das famílias. O item Renda Atual confirma isso, pois mostra queda em março de 0,9%, com 94,6 pontos. A maioria das famílias avalia que o nível de renda está mais baixo do que há um ano.

E com o bolso apertado, as famílias tentam recorrer ao crédito. Contudo ele está mais caro e mais seleto. O item Acesso a Crédito registrou recuo mensal de 2% e chega aos 82,5 pontos. Significa dizer que a maioria das famílias está considerando estar mais difícil a obtenção de empréstimos para compras a prazo.

Tanto que, apesar do item Momento para Duráveis tenha subido 1,3% em março, a sua pontuação é a mais baixa entre os itens avaliados pelo ICF em Salvador, com 42,9 pontos. São 76% das famílias que dizem ser um mau momento para compras de produtos como geladeira, fogão, televisor etc.

O que tem ajudado a avaliação das condições econômicas das famílias neste momento é a melhora relativa do mercado de trabalho. O item Emprego Atual apresentou leve queda de 0,6%, porém está com 109,1 pontos, o item com melhor avaliação do ICF e o único que se posiciona acima dos 100 pontos, ou seja, na área de satisfação.

E o item Perspectiva Profissional cresceu 8,1% e chega aos 95,3 pontos, maior nível desde abril de 2021. Ou seja, as famílias avaliando positivamente o futuro próximo, considerando que o responsável pelo domicílio pode ter uma melhora profissional.

O problema, como já foi alertado nas análises anteriores, é que essa melhora no sentimento do trabalho não tem se revertido em aumento de consumo e vendas, dada inflação que corrói a renda familiar, além dos juros mais elevados.

Na análise por faixa de renda, houve uma assimetria. O índice das famílias com renda abaixo dos 10 salários-mínimos avançou 0,8% e atinge os 80,7 pontos. Por outro lado, o ICF das famílias com renda mais elevada retraiu 4,3% e volta aos 110,5 pontos. Apesar do recuo, as famílias com renda superior a 10 SM ainda estão avaliando positivamente as suas condições econômicas, por estarem acima dos 100 pontos.

O resultado geral só confirma a dificuldade de consumo das famílias. E a PEIC, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, contribuiu na análise no sentido de que as famílias estão tendo que buscar crédito, no cartão de crédito ou nos carnês, para complementar a renda. O problema é que a inadimplência atingiu recorde. Desta forma, mesmo havendo uma melhora da renda do consumidor, não deve ir direto ao comércio, mas para pagamento de dívidas. Ou seja, capacidade de consumo limitada e vendas fracas no curto e médio prazo.