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ICF 2022 | SETEMBRO

ICF
24 de outubro de 2022

INTENÇÃO DE CONSUMO EM SALVADOR SOBE 15,7% EM UM ANO, APONTA FECOMERCIO-BA

Para essa melhora se reverter em consumo de fato é necessário que a inflação caia mais.

 

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, apontou o quinto crescimento consecutivo. Em setembro, o avanço foi de 1,1%, ao passar dos 88,3 pontos em agosto para os 89,3 pontos desta última coleta. Na comparação com o mesmo período de 2021, houve elevação de 15,7%, quando naquele mês o indicador foi de 77,2 pontos.

O ICF varia de 0 a 200 pontos. Entre 0 e 100 pontos é considerado um nível de insatisfação com as condições econômicas. Já o intervalo de 100 a 200 pontos a avaliação de satisfação. Quanto mais próximo dos extremos, 0 e 200, maior o sentimento é pessimista/otimista.

As famílias de Salvador vão recuperando gradativamente as suas condições econômicas de forma que consigam aumentar a capacidade de consumo. Em relação ao ano passado, o que mais chama a atenção na pesquisa é a melhora na perspectiva profissional que quase dobrou, subiu 96,8%, ao passar de 59,9 pontos para os atuais 117,8 pontos, ou seja, a maioria dos entrevistados consideram que deve haver uma melhora profissional para o responsável pelo domicílio os próximos 6 meses. Embora tenha havido o aumento anual, na comparação com agosto houve queda de 1,5%, mas é mais uma oscilação natural do que uma possível tendência de queda.

Continuando no trabalho, as famílias estão também mais seguras em relação ao emprego atual. O item atingiu 114,3 pontos, alta de 35,5% no contraponto anual. O recuo de 1,4% no comparativo mensal não preocupa, pois veio de duas altas seguidas. Os dados oficiais de emprego, do CAGED, comprovam que houve um ambiente mais favorável para geração de empregos. Tanto que ao longo deste ano foram abertas pouco mais de 30 mil vagas formais na capital baianas em todos os setores da economia.

E se tem mais emprego, é natural que melhore no nível de satisfação com a renda. O item Renda Atual atingiu 99,3 pontos, o maior nível desde abril de 2020. Na comparação com setembro de 2021, houve aumento de 11,8% e 1,7% no contraponto mensal. O avanço só não foi maior por conta da inflação alta que pesou neste ano. Porém, com os preços começando a ceder, a tendência é que o item volte e se mantenha no patamar de satisfação nos próximos meses.

O grande desafio é que essa recuperação do emprego e da renda se reverta em aumento de consumo. Não é isso, por enquanto, que o ICF aponta. O item Nível de Consumo Atual caiu 11,3% em relação a setembro de 2021 e volta aos 64,3 pontos. Porém, quando o consumidor observa o cenário de médio prazo, nos próximos meses, há uma relativa melhora. O item Perspectiva de Consumo cresceu 13,4% ao passar de 87,1 pontos no mês de 2021 para os atuais 98,8 pontos.

Outro ponto importante e que é um limitador de gastos é o aumento dos juros. O item Acesso a Crédito, por exemplo, caiu 4,5% na comparação anual e retorna aos 93,5 pontos. Há maior restrição na oferta de crédito neste ano em relação ao mesmo período do ano passado, não só pelo encarecimento dos empréstimos, mas pelo maior risco de inadimplência.

Nesse cenário, a lógica também leva ao raciocínio das famílias não considerarem um bom momento para compras de bens mais caros, como geladeira, fogão, televisor, etc. O item Momento para Duráveis está com 37 pontos, queda anual de 25,5%. Esse é o pior patamar desde maio do ano passado, com 8 a cada 10 famílias dizendo ser um mau momento para aquisições desses tipos de produtos.

E na análise por faixa de renda, a maior variação foi para o grupo de famílias que ganha abaixo de 10 salários-mínimos, de 17,6% contra 3% do grupo de renda mais alta. No entanto, a pontuação ainda está bem diferente entre as faixas, com 86,1 pontos para o estrato mais baixo de renda e 123,4 pontos para o segundo.

De forma geral, os números vão de acordo com o cenário que a Fecomércio-BA tem traçado. Está havendo uma melhora nítida no emprego e que ajuda a recompor o poder de compra das famílias. Contudo, com os juros altos e o nível de inadimplência no maior patamar histórico, dificulta a transição, ou seja, do ganho de renda virar consumo na veia na economia.

Portanto, o aumento da intenção de consumo é uma ótima notícia, pois mostra que as condições econômicas das famílias vêm melhorando. Mas é importante que a inflação caia de forma mais significativa para que dê condições das famílias quitarem o compromisso atrasado e, em seguida, voltarem com força ao consumo. Isso deve acontecer mais para 2023.