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PEIC 2021 | AGOSTO

PEIC
1 de novembro de 2021

7 A CADA 10 FAMÍLIAS DE SALVADOR ESTÃO ENDIVIDADAS, MAIOR NÍVEL DESDE 2013, APONTA FECOMÉRCIO-BA 

Dívidas em carnês são as maiores em mais de 10 anos. 

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Fecomércio-BA, registrou mais um aumento na taxa de endividados e renovou o recorde de nível mais elevado desde julho de 2013. Em agosto, o percentual foi de 71% ante os 68,2% do mês anterior e bem acima dos 66,3% vistos no mesmo mês do ano passado.  

Lembrando que o endividamento em Salvador vem subindo desde abril, quando a taxa estava em 59,1%. Em termos absolutos, houve um aumento de 112 mil famílias que passaram a ter dívidas em apenas 5 meses, chegando ao total atual de 661 mil famílias que possuem algum tipo de dívida. 

Importante ressaltar que o endividamento é quando o consumidor faz uma compra no cartão, por exemplo, e precisa pagar a fatura na data do vencimento. A inadimplência é quando essa fatura não foi paga no vencimento, então se torna uma dívida em atraso. 

E a inadimplência tem preocupado o comércio. A taxa de agosto foi de 30,2%, superior aos 27,8% registrados no mês anterior, porém, ligeiramente abaixo dos 30,8% vistos em agosto de 2020. São 281 mil famílias na capital baiana com atrasos nas dívidas, um crescimento de 66 mil nos últimos cinco meses. Ou seja, 60% dos novos endividados não conseguem quitar o compromisso na data de vencimento. 

Já a situação daquelas famílias que dizem que não terão condições de pagar a dívida em atraso está, de certa forma, controlada. A taxa em agosto foi de 8,6%, praticamente estável em relação a julho e bem abaixo dos 13,3% de agosto de 2020. A explicação pode estar nas renegociações e realização de feirões que ajudam os consumidores, que estão há um tempo com a conta em atraso, a equilibrarem as contas.  

O principal tipo de dívida continua sendo o cartão de crédito com 91,8% dos endividados, nada muito diferente do visto em julho (92,4%) e de agosto do ano passado (91%). Uma nova ressalva, esses endividados no cartão são pessoas que estão gastando nesta modalidade, mas não necessariamente estão com a fatura em atraso. 

O percentual elevado do cartão de crédito como principal dívida indica que os consumidores estão sofrendo com o processo de inflação e desemprego. A corrosão da renda tem feito as famílias buscarem o crédito para complementar a renda. O problema é que estão fazendo isso pela necessidade, ou seja, parcelando compras de supermercados sem saber ao certo se conseguirá pagar as faturas dos meses seguintes. 

Mas o que chama a atenção, em agosto, foi o percentual de famílias endividadas nos carnês, com 13,3%, maior percentual desde abril de 2010. Entre maio e julho, o patamar estava pouco acima dos 10% e avança agora para a casa dos 13%. Os carnês se tornam uma saída para manter o consumo, pois são relativamente menos burocráticos que os empréstimos dos bancos e são negociados diretos com as redes varejistas.  

Essa modalidade está muito mais presente nas classes sociais mais baixas, tanto que o percentual de endividados nos carnês com renda abaixo de 10 salários mínimos é de 14,1% contra 4,5% das famílias com renda acima dos 10 SM. 

E mesmo com o avanço do endividamento, um dado que traz certa tranquilidade é do percentual da renda comprometida com a dívida. Em agosto, esta relação foi de 32,2%, no patamar muito saudável de 1/3 que é o recomendável para as famílias ainda terem espaço para as contas do dia a dia e do consumo com renda própria. 

Portanto, a inflação e o desemprego têm pressionado o orçamento das famílias que não encontram outra forma para manter o nível de consumo a não ser contraindo dívida, principalmente com o cartão de crédito e com os carnês. 

O problema é que o cenário está incerto, com problemas internacionais e domésticos, econômicos e políticos, e ainda tem o ingrediente a mais que são as variantes do coronavírus que vão surgindo e gerando dúvidas sobre os seus efeitos na economia. 

Desta forma, o crescimento tende a ser um pouco mais fraco do que se esperava, o que consequentemente deve reduzir o ritmo de geração de empregos, variável essencial para a recuperação e sustentação de consumo no longo prazo.