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PEIC 2021 | OUTUBRO

PEIC
5 de novembro de 2021

EM OUTUBRO, ENDIVIDAMENTO RECUA PARA 71,4%, MAS INADIMPLÊNCIA AINDA PREOCUPA, APONTA FECOMÉRCIO-BA 

A injeção do 13º salário pode ajudar as famílias a quitarem os compromissos atrasados e reduzir a inadimplência. 

Após cinco altas consecutivas, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Fecomércio-BA, apontou recuou na taxa de famílias endividadas, de 72,2% em setembro para os 71,4% de outubro. Há um ano, o percentual visto foi de 66,3%. Em termos absolutos, são 665 mil famílias em Salvador com algum tipo de dívida, 50,4 mil a mais em relação a igual período de 2020.  

A inadimplência é que preocupa, pois permaneceu tecnicamente estável quando comparado com setembro, 32,5% de famílias com contas em atraso, acima dos 29,9% registrados há um ano. Atualmente, são 303 mil famílias inadimplentes. 

Esse cenário mostra a dificuldade das famílias em acertar as contas diante da inflação e desemprego em alta. No entanto, o 13º salário a ser liberado a partir de novembro deve ter um papel fundamental para as famílias buscarem o equilíbrio das contas.  

Além disso, neste período de novembro é quando ocorre os tradicionais feirões de limpa nome, contribuindo para a intermediação dos consumidores com as redes varejistas, bancos, financeiras, concessionárias, etc. 

Acertar o compromisso em atraso será importante para restabelecer a capacidade de consumo para as compras de Natal, em dezembro, principal data para o setor varejista. 

A dívida mais comum é do cartão de crédito com 91,9% das famílias endividadas nesta modalidade. Bem mais abaixo vem os carnês com 11,7%. Essas são as formas que os consumidores têm buscado para driblar a inflação e manter o consumo. 

Embora o endividamento esteja elevado, o percentual da renda comprometida com a dívida está em 31,4%. Esse patamar é considerado como saudável, pois há condições das famílias contraírem a dívida, mas pagando as contas do dia a dia e também o consumo pro domicílio.  

Ano passo, o percentual estava em 37%, o que pode ter sido um movimento do sistema financeiro de reduzir os valores limites de uso do cartão para não gerar mais risco de inadimplência. 

Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é que a dívida em atraso tem ficado cada vez mais curta, de até 30 dias. Dos inadimplentes, 28% estão com atraso até um mês, sendo que no ano passado esse percentual estava em 15%.  

Este tipo de atraso, de curto prazo, é mais característico de contas e faturas pequenas, que a pessoa deixa de pagar por não ter o recurso imediatamente, mas sabe que vai quitar tão cedo consiga receber o seu salário ou outra forma de renda. 

De qualquer forma, mostra a maior fragilidade das famílias em serem pontuais com o pagamento do crédito contraído.  

Em relação a grupo social, as famílias com renda mais alta, acima de 10 salários-mínimos pioraram o quadro do endividamento e da inadimplência. O percentual de famílias endividadas subiu para 42,9% e 13,5% de famílias com contas em atraso, ante 41,2% e 12,9%, respectivamente. 

Já para o grupo de renda inferior a 10 salários-mínimos, o endividamento caiu de 75,2% para 74,1%, entre setembro e outubro, e a inadimplência ficou praticamente estável em 34,8% ante os 34,9% de setembro. 

Apesar dos números gerais serem minimamente mais favoráveis em relação a setembro, o quadro financeiro das famílias requer cuidados. A orientação da Fecomércio-BA é que os consumidores utilizem o 13º salário para pagamento de contas em atraso, priorizando as que possuem taxas de juros mais altas. 

Aproveitem os feirões para renegociar a dívida em atraso, com chances de pagar praticamente só o principal, reduzindo os juros e multas. O processo hoje pode ser feito online com o consumidor disponibilizando a sua oferta de pagamento para que seja analisado pela empresa. 

Após acertar as contas, o que sobrar – sabendo que pra muitas famílias será um exercício bem difícil – tem que se pensar que além das compras de final de ano, há as tradicionais contas que chegam em janeiro, como matrícula escolar, IPTU, IPVA, etc que devem sofrer reajustes importantes pra cima. 

A Fecomércio-BA vem sempre alertando que o ano de 2022 será tão desafiador quanto foi 2021, o que exige responsabilidade fiscal dos consumidores, sempre gastando com consciência para não entrar no efeito bola de neve, sobretudo, com os juros subindo, o que deve dificultar ainda mais o deve de casa das finanças domésticas.