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PEIC 2022 | AGOSTO

PEIC
24 de outubro de 2022

386 MIL FAMÍLIAS EM SALVADOR ESTÃO COM CONTAS EM ATRASO, ALTA DE 104 MIL EM UM ANO, APONTA FECOMÉRCIO-BA

Situação dificulta retomada do varejo. Porém, injeções de recursos do 2º semestre devem ajudar no equilíbrio das contas.

 

A inadimplência sobe pelo sétimo mês seguido em Salvador. Em agosto, a taxa de famílias com contas em atraso atingiu 41,3%, maior nível desde 2011, de acordo com dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio-BA. Na comparação com julho, houve aumento de 0,9 ponto percentual (40,4%). E no contraponto anual, o avanço foi mais significativo, quando em agosto de 2021 a taxa foi de 30,2%. Em termos absolutos, são 385,6 mil famílias que possuem débitos em atraso, 104,3 mil a mais do que há um ano.

Outro dado negativo da pesquisa foi o aumento de 12,5% para 13,5% o percentual de famílias que já dizem que não conseguirão quitar a dívida em atraso. Esse percentual é o mais elevado desde julho de 2020.

O endividamento, por sua vez, recuou pelo segundo mês, ao passar de 65,2% em julho para os atuais 64,8%. No contraponto anual também houve queda, quando naquele mês a taxa registrada foi de 71%. Atualmente são 605 mil famílias soteropolitanas que possuem algum tipo de dívida.

Com esses dados iniciais, é possível traçar um importante quadro de crédito na capital baiana. Primeiro que o aumento do risco da inadimplência, aliado aos juros elevados, está restringindo o crédito para as famílias da região, tanto que houve redução no número de endividados. Segundo que parte importante do grupo que contraiu crédito no passado não está conseguindo quitar os compromissos por conta dos juros altos e da inflação.

Esse é um cenário desfavorável para a recuperação das vendas no comércio, pois esse grupo que cresceu em mais de 100 mil famílias em um ano precisa quitar o compromisso do passado para voltar às compras de forma mais forte. No entanto, a entrada dos recursos do Auxílio Brasil a partir de agosto e, mais para o final do ano, o 13º salário, além do tradicional feirão no final do ano de limpa nome, devem contribuir para o equilíbrio das contas.

Em relação ao principal tipo de dívida, o destaque continua o cartão de crédito com 86,9%, abaixo dos 91,8% vistos há um ano. Sinal de que as empresas de cartões e bancos estão segurando mais o crédito. Em segundo lugar está o crédito pessoal com 8,9%, sendo que há um ano o percentual foi de 4,9%. Esses dados indicam que há uma troca gradativa de crédito, do consumo do cartão de crédito para o crédito para pagamento de contas. Outro sinal dessa tendência é o aumento, em um ano, de 3,7% para 8% do crédito consignado. E vale ressaltar que essa modalidade é muito positiva, pois tem a menor taxa de juros no mercado.

A situação da inadimplência é mais crítica para as famílias com renda até 10 salários-mínimos. Em agosto, a taxa de famílias com contas em atraso para esse grupo foi de 43,5% contra menos da metade (21,2%) das famílias com renda acima de 10SM. A diferença também é grande em relação ao endividamento, de 66,4% contra 47,6%.

O atual nível da inadimplência em Salvador não deve permanecer por mais tempo. A análise é que tenha chegado a uma espécie de teto. Não quer dizer, por outro lado, que vai cair de maneira rápida. Mas deve seguir, no segundo semestre, com reduções gradativas.

Além das injeções de recursos comentadas, o mercado de trabalho tem melhorado na região, por mais que a renda real não tenha crescido na mesma magnitude. Mas uma boa notícia, a medida que a inflação for arrefecendo, sendo essa a atual tendência, o consumidor vai recuperando o seu poder de compra e, com isso, vai poder equilibrar aos poucos as contas em atraso e, posteriormente, retomando o nível de compras.

Portanto, as famílias ainda estão numa situação de cautela, de alerta, porém com perspectivas de melhora no futuro próximo, com um cenário mais promissor para 2023.