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PEIC | FEVEREIRO 2024

PEIC
23 de fevereiro de 2024

AUMENTO DO ENDIVIDAMENTO E REDUÇÃO DA INADIMPLÊNCIA: BOA TENDÊNCIA PARA O CONSUMO, AVALIA FECOMÉRCIO-BA

Mais emprego e inflação moderada ampliam a capacidade de tomada de crédito do consumidor. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio-BA, a cidade de Salvador registrou, em fevereiro, a quarta expansão consecutiva no nível de endividamento das famílias. Atualmente, cerca de 63,3% dos lares – aproximadamente 594 mil famílias – mantêm alguma dívida ativa, alta leve de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior. Há um ano, porém, o percentual era maior, de 70,6% das famílias. Dentre os endividados, o tempo médio de comprometimento da renda com pagamento de dívida é de 6,7 meses. Vem sendo observado nos últimos meses um aumento no percentual de famílias que estão optando por dívidas com prazos inferiores a 6 meses e uma redução, por consequência, do percentual de famílias que contraem dívidas com prazos mais longos, superiores a 6 meses. E os resultados de fevereiro apontam para o mesmo sentido, revelando uma mudança no perfil das dívidas que vem sendo mais contratadas pelas famílias da capital baiana. E de fato, através do indicador que avalia os tipos de dívidas mais demandadas foi constatado, no contraponto anual, uma redução expressiva de financiamentos de imóveis e automóveis ao mesmo tempo em que vem aumentando o percentual de famílias utilizando o cartão de crédito – uma alternativa frequentemente utilizada na aquisição de bens e serviços de menor valor e com prazos de pagamento mais curtos. Já com relação ao comprometimento de renda com dívidas, segue o percentual médio de renda das famílias em 31,4% em fevereiro. Na avaliação em 12 meses, o lado positivo é que o percentual de famílias com mais de 50% da renda comprometida registrou sua terceira queda consecutiva, chegando a 22,5% dos lares, enquanto há um ano, 32,5% das famílias tinham mais de 50% da renda comprometida com dívidas. Desta forma, indica um cenário mais favorável para o acerto de contas e, ao mesmo tempo, maior capacidade para consumo e nova obtenção de crédito. Corroborando a melhora do poder de compra, foi observado uma redução mínima de 0,2 p.p. no número de famílias que estão com contas em atraso entre janeiro e fevereiro de 2024, passando de 22,8% para 22,6% dos lares. Já na avaliação em 12 meses, a queda chega a 17,4 p.p., dado que em fevereiro de 2023 a inadimplência atingia cerca de 40% das famílias em Salvador. No mesmo sentido, o percentual de famílias que não terão condições de honrar seus compromissos financeiros segue em trajetória de redução pelo décimo segundo mês consecutivo. Em fevereiro de 2023, 18,27% dos lares de Salvador se encontravam nessa situação. Já em janeiro de 2024, o percentual foi reduzido para 9,76% dos lares e diminuiu mais 0,03 p.p. no último mês, encerrando fevereiro com 9,73% das famílias sem condições de quitarem seus débitos em atraso – menor percentual desde dezembro de 2021. Fazendo uma avaliação dos resultados de fevereiro a partir do nível de renda das famílias, foi observado que o aumento do endividamento puxado por aquelas com renda de até 10 salários mínimos – de 65,5% para 66,2% dos lares no último mês – enquanto para as famílias com renda superior a 10 salários mínimos houve redução dos endividados no mesmo período – de 34,7% para 32,9% das famílias. Por outro lado, a redução da inadimplência foi puxada pelas famílias com maior poder aquisitivo – passando de 7,6% para 6,5% dos lares soteropolitanos no último mês. Já as famílias menos abastadas viram o mesmo indicador aumentar em 0,1 p.p. no último mês, de 24,6% para 24,7% das famílias com dívidas em atraso. De modo geral, os resultados do mês de fevereiro vieram em linha com o que vem sendo observado nos últimos meses – uma melhora gradual dos indicadores de endividamento e inadimplência da população. Com isso, reitera-se as perspectivas positivas de que o estado da Bahia seguirá absorvendo o crescimento das vendas do varejo nos próximos meses ao mesmo tempo em que se espera uma continuidade da redução no percentual de famílias com contas em atraso ou sem condições de quitarem suas dívidas.