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VAREJO BAIANO | EMPREGO BAHIA 204

Central do Conhecimento, Varejo Baiano
16 de abril de 2024

A COMPLEXIDADE DA EMPREGABILIDADE NA BAHIA

A queda no desemprego no estado é positiva, mas beneficiários do Bolsa Família superam os formalizados.

Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE relativos ao mercado de trabalho na Bahia são positivos. A taxa de desocupação no último trimestre do ano passado foi de 12,7%, a menor desde o mesmo período de 2015. Com isso, a massa de rendimentos, ou seja, a disponibilidade de recursos para os trabalhadores atingiu R$ 12,2 bilhões no período, graças também ao processo inflacionário mais brando do que há um ano.

Sob um outro olhar, de um outro levantamento, o do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, em 2023, houve um saldo positivo de 71 mil, entre admitidos e demitidos no estado. Neste caso, trata-se exclusivamente de empregos registrados com carteira assinada. Somente em janeiro deste ano, o dado mais recente, o saldo ficou positivo em 4,8 mil, acima dos 4,1 mil do mesmo período do ano passado.

Desta forma, há uma convergência de tendência favorável nesses dois levantamentos de emprego na Bahia. De fato, o cenário está muito positivo, o que tem beneficiado não somente as famílias, com ampliação do poder de compra, mas para os empresários que vêm um mercado consumidor relativamente mais forte.

No entanto, o alerta que a Fecomércio-BA traz é para a limitação no avanço desses números a partir de agora. Da dificuldade que os empresários estão encontrando para contratar mão-de-obra, e nem se trata de profissionais qualificados, mas de cargos básicos, de entrada no mercado de trabalho.

Um dado interessante e que corrobora essa análise é de que há 2,06 milhões de pessoas no estado que trabalham com carteira assinada, nas mais diversas áreas econômicas, mas principalmente no segmento de serviços. Por outro lado, de acordo com informações disponibilizadas no portal da transparência do governo federal, são 2,43 milhões de beneficiários do programa Novo Bolsa Família.

O programa de transferência de renda é fundamental para evitar a inserção de famílias na linha de pobreza e na desnutrição e contribui para a economia local em inúmeros municípios, movimentando intensamente os mercados locais, farmácias, lojas de roupas, etc.

Não é razoável e adequado ter uma carga grande de potenciais trabalhadores num número bem superior aos que estão empregados formalmente. Sabe-se que boa parte dos beneficiários recebem pelos chamados bicos para não ter qualquer tipo de formalização, o que traria a perda do benefício social.

Então, qual seria a solução? Não há soluções simples para problemas complexos, como é o caso apresentado. Há de se pensar em possíveis saídas dessas pessoas do programa social, no sentido de conseguirem melhores oportunidades de trabalho, com proteção social da providência e contribuição para o fundo de garantia. E o caminho passa pela ampliação dos investimentos públicos e privados, do incentivo a formação profissional, entre outras medidas.

Portanto, embora os números de emprego na Bahia estejam num caminho positivo, e deve ser sim celebrado, há um grande desafio pela frente que cada vez fica mais evidente e que limitará uma queda mais forte da taxa de desocupação e no estoque de empregados formais. É preciso olhar com carinho e cuidado para essas pessoas e oferecer uma melhora na qualidade de vida, em termos de trabalho, renda e proteção social.