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VAREJO BAIANO | INFLAÇÃO RMS JANEIRO 2024

Varejo Baiano
16 de fevereiro de 2024

INFLAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR DESACELERA EM JANEIRO, APONTA FECOMERCIO-BA

Mesmo com resultado positivo na avaliação histórica, alimentos e bebidas registraram a maior alta no mês exercendo também a maior pressão inflacionária O índice de preços ao consumidor na Região Metropolitana de Salvador passou de alta de 0,84% em dezembro para 0,13% em janeiro de 2024, caracterizando desaceleração da inflação no período. A análise é da Fecomércio-BA com base nos dados do IBGE e apontam também que o resultado na Grande Salvador ficou abaixo da média nacional, de 0,42%, e foi ainda o segundo melhor dentre as 16 regiões analisadas. Embora o mês de janeiro tenha apresentado discreto aumento nos preços, o cenário requer atenção, uma vez que a maior pressão inflacionária ocorreu no grupo de alimentação e bebidas, com variação mensal de 1,38%, disseminada entre produtos de hortifruti, carnes, cereais e panificados. Este foi o segundo mês consecutivo em que o grupo registrou alta superior a 1%, causando forte pressão sobre o orçamento das famílias. No mesmo sentido, o segundo maior impacto positivo ocorreu no grupo de saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,97% na avaliação mensal, impulsionado principalmente pelos gastos com produtos de higiene pessoal, que tiveram variação mensal de 1,14%, e com planos de saúde e serviços médicos e dentários, que variaram 0,78% e 1,14%, respectivamente. O grupo que avalia os preços relacionados a despesas pessoais também teve impacto considerável sobre o resultado de janeiro, com aumento de 1,22% em relação a dezembro, e puxado pelos gastos com hospedagem (3,81%), serviços pessoais (1,34%) – como salões de beleza, manicures e barbearias – e atividades de recreação (1,08%). As demais altas ocorreram nos grupos de educação e vestuário, com variações mensais de 0,50% e 0,15%, respectivamente. Por outro lado, dentre os grupos que contribuíram para conter a inflação em janeiro, a maior parcela veio do segmento de habitação, que registrou queda de -2,26% na avaliação mensal. O resultado foi influenciado em maior grau pela redução de -9,11% nos preços da energia elétrica residencial, decorrente da alteração na alíquota de ICMS, sancionada em novembro e que passou a valer a partir de janeiro. Outra contribuição importante veio do grupo de transportes, com variação mensal de -0,66%. Os preços das passagens aéreas interromperam uma sequência de quatro meses em alta e registraram queda de -15,18% entre dezembro e janeiro, contribuindo com a maior parcela da deflação observada nos transportes. No mesmo sentido, os preços da gasolina também reduziram, mas em menor grau, variando -0,93% no último mês. Completam a lista de reduções em janeiro os grupos de comunicação e de artigos de residência, que apresentaram deflação mensal de -0,39% e -0,31%, respectivamente, mas impacto bastante reduzido com relação ao resultado geral da inflação. Assim, fica evidente que os resultados de janeiro acendem uma luz amarela tanto sobre os consumidores da região metropolitana de Salvador, quanto sobre o empresariado local. Isso porque, embora tenhamos iniciado o ano de 2024 com uma desaceleração da inflação e um bom resultado para o mês de janeiro na avaliação histórica, foram observados aumentos relevantes nos preços de itens básicos de consumo, como alimentação, saúde, cuidados e despesas pessoais, todos com grande peso sobre o perfil de consumo da população. Ao mesmo tempo, as principais quedas observadas estão relacionadas a questões pontuais e não apresentam uma tendência de deflação no média e longo prazos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias. Nesse sentido, a expectativa para os próximos meses é de que o índice geral de preços possa apresentar uma aceleração, indicando um quadro de inflação ainda elevada, fator que pode não apenas interromper o ritmo do ciclo de queda da taxa básica de juros, como impactar negativamente as expectativas de vendas para o varejo.