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Fecomércio-BA avalia os impactos do Bolsa Família e auxílio emergencial na economia baiana

Comércio
15 de maio de 2021

Dúvida se o Bolsa Família substituirá o auxílio emergencial tem sido cada vez mais frequente 

As famílias brasileiras mais vulneráveis foram as que mais sofreram durante esta pandemia do coronavírus. Não conseguem criar uma poupança para servir de colchão e amenizar os impactos do desemprego e da falta de oportunidades e se tornam dependentes dos programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial.

O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, avalia que o Auxílio foi criado no ano passado para ajudar especificamente neste período de calamidade pública, e que teve o seu término no final de dezembro. “Embora, com a segunda onda aparecendo de forma expressiva, de números elevados de contaminações, mortes e internações, surge de novo no debate político a necessidade de voltar o auxílio, porém com outro valor”, pontua. “O primeiro programa, o Bolsa Família, por sua vez, está consolidado e tem outro perfil, muito mais de tirar as famílias da extrema pobreza, para dar o mínimo de condições de consumo”.

E a pergunta recorrente neste início de ano tem sido a seguinte: o Bolsa Família poderá substituir o consumo das famílias com o fim do Auxílio Emergencial? Guilherme Dietze avalia que para responder a essa pergunta é importante olhar os dados disponibilizados até o momento. “Enquanto o auxílio emergencial teve distribuído R$ 17 bilhões ao longo de nove meses no estado da Bahia, o montante do Bolsa Família, em 12 meses, foi de 4,1 bilhões, ou seja, pouco mais de quatro vezes”, esclarece o economista.

“Só esses dados já dão a dimensão da proporcionalidade de cada programa. Mas há outra variável interessante, a do percentual da população beneficiada por cada um deles. No caso do Auxílio Emergencial, os recursos chegaram para quase 42% dos cidadãos, enquanto no Bolsa Família, o percentual fica nos 14%”, afirma Dietze. 

Com uma injeção significativamente maior, o impacto na ponta do auxílio emergencial na economia baiana também é mais relevante. Fazendo uma relação sobre o benefício e o faturamento do comércio na Bahia, o AE participaria com 16,7%, sendo 4% para o Bolsa Família. 

Guilherme relata que o auxílio emergencial abrangeu muito mais gente e o seu valor foi de quatro anos de Bolsa Família. “Esse último não tem a condição de substituir a capacidade de consumo, e nem é o seu propósito de aumentar a demanda agregada, mas aliviar a tensão das famílias em situação vulnerável”.

Mas como será o consumo das famílias então? Para o economista outra variável que pode contribuir para ajudar nas vendas é a poupança. “No ano passado, entre depósitos e retiradas, houve um saldo positivo de 166 bilhões de reais, o maior desde o início do plano real. Infelizmente, não há o dado regional para dimensionar o possível impacto na economia da Bahia”, avalia Guilherme.

“De qualquer forma, a situação atual com a chegada da segunda onda preocupa. Porque mesmo a poupança tem um perfil de ser um recurso de emergência e há muita preocupação no seu gasto. Somente com a vacinação em grande escala é que trará confiança para as famílias poderem ter uma expectativa mais favorável e aumentarem a sua intenção de consumo de forma consistente e de longo prazo”, conclui o consultor econômico da Fecomércio-BA.