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Fecomércio-BA calcula que varejo baiano cresce 13,5% em março

Comércio
15 de maio de 2021

Em março, o comércio varejista da Bahia faturou R$ 7,8 bilhões, forte aumento de 13,5% em relação ao mesmo período de 2020, o que representa um ganho de quase R$ 1 bilhão. Lembrando que foi nesse mesmo mês no ano passado que a pandemia do coronavírus acertava em cheio a economia brasileira, com restrição quase que completa das atividades econômicas.

“Por isso, não é o mais adequado, a partir de agora, fazer as comparações como o período de pandemia. A base de comparação estatística está bastante fragilizada e que deve gerar nos próximos meses variações positivas expressivas, porém que não reflete a realidade do momento”, explica o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

Por isso, quando comparado com março de 2019, ano pré pandemia, o comércio tem queda de 6,6%. E ficou praticamente igual o número de setores que registram crescimento e queda nas vendas.

Pelo lado negativo, a maior variação é do setor de vestuário, tecidos e calçados, de -63,9%. “Desde o ano passado, não houve qualquer movimento de recuperação do setor por vários motivos. Ficou constantemente com portas fechadas devido as restrições de funcionamento. Mas também sofre pelo comportamento que vem mudando com o tempo, das pessoas passando mais tempo em casa e, com isso, reduz a necessidade de compra de roupas novas, a não ser quando há alguma data festiva como dia das mães ou aniversários”, compara Dietze.

O grupo Outras Atividades também teve forte recuo em relação a 2019, de 24,1%. Ele é composto pelo comércio de combustíveis para veículos, artigos esportivos, joalherias, entre outros. Mas o que pesa mais é a venda de gasolina, álcool e gás. 

As lojas de móveis e decoração e vendas de veículos registraram quedas respectivas de 14,9% e 1,5%. Além da baixa demanda, a paralisação de várias montadoras de veículos dificultou a retomada das vendas de carros desde o ano passado. Já as lojas de móveis e decoração até apresentaram uma recuperação no final do ano passado, influenciadas pelo mercado imobiliário aquecido, mas ainda não o suficiente para ganhar tração e superar o período pré pandemia.

Guilherme Dietze afirma ainda que os supermercados ficaram no zero a zero, com o mesmo faturamento de março de 2019. “Como foi um dos poucos setores que desempenharam bem ao longo de 2020, a comparação com o ano passado não é das piores, uma leve queda de 2,3%. O setor vem sofrendo com o aumento expressivo nos preços dos alimentos e levando a uma restrição de consumo das famílias baianas”.

No campo positivo, o destaque vai para as lojas de materiais de construção com alta de 26,6% em relação a março de 2019. Além da alta demanda, os preços continuam em alta, o que favorece as vendas do setor. Tal como o setor de eletroeletrônicos que aponta leve alta de 4,1%.

Por fim, as farmácias e perfumarias registraram elevação nas vendas de 14,2%. Mesmo durante a pandemia, o setor seguiu no campo positivo com uma ou outra vez no vermelho, mas que não altera a tendência de vendas para o médio e longo prazo. Por ser essencial e os preços sem grandes pressões, ajudam o bom desempenho do mês.

O que a Fecomércio-BA alerta é que o varejo não deve ser analisado de forma global, mas pontuando o desempenho setorial, dada a diferença de resultados. Os setores básicos continuam num momento positivo, tal como os setores ligados a construção civil e o mercado imobiliário. Por outro lado, as atividades não essenciais e que sofrem com o novo comportamento do consumidor, de mais tempo em casa, redução de consumo de supérfluos, continuam na tendência negativa.

Os próximos meses devem ser bastante similares aos dados vistos em março. Desta forma, a variação positiva em relação a 2020 não representa a atual conjuntura e importante frisar que as analises devem ser feitas com base nos meses de 2019.