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Inflação na RMS encerra 2021 com 10,78%, a mais alta da região Nordeste, avalia Fecomércio-BA

Sistema Comércio
14 de janeiro de 2022
Inflação na RMS encerra 2021 com 10,78%, a mais alta da região Nordeste, avalia Fecomércio-BA

Etanol foi o item com a maior variação no ano, 59,59%.

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia Estatística divulgou a inflação oficial do Brasil de 2021 e o saldo foi bem salgado para a população, com alta de 10,06%, a mais elevada desde 2015. Com base nesses dados, a Fecomércio-BA analisou a situação da Região Metropolitana de Salvador que, no ano passado, registrou aumento nos preços de 10,78%, bem acima dos 4,31% de 2020.

O que chamou atenção foi que, entre as cidades que o IBGE realiza a coleta para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), na região Nordeste, Salvador, Fortaleza, Aracaju e Recife, a RMSA registrou a maior variação.

Assim, de acordo com o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, essa inflação elevada é decorrente, principalmente, dos preços dos combustíveis.

“O etanol, por exemplo, variou 59,59% em 2021. No caso da gasolina, o avanço foi de 52,06% e o óleo diesel com alta de 50,45%. Isso sem falar no combustível doméstico, o gás de botijão registrou aumento de 34,63%”, destaca o economista.

É importante ressaltar que esses aumentos não foram exclusivos da região. É um problema global da crise de energia e combustíveis, em que o preço do petróleo disparou no mercado internacional ao longo de 2021 e que impactou não só a gasolina, mas como os seus derivados. “No caso específico do etanol, foi mais um problema interno de quebra importante da safra da cana-de-açúcar e que, ao diminuir a oferta, os preços sobem na ponta”, ressalta, o consultor econômico, Guilherme Dietze.

A energia elétrica residencial subiu 18,83% e mesmo tendo uma variação relativamente menor que a dos combustíveis, por exemplo, o seu impacto no índice geral foi alto. Isso porque esse item é o segundo que mais pesa no bolso do consumidor, com peso no IPCA da região de 4,8%, atrás somente da gasolina (6,22%).

“A falta de chuvas no Brasil diminuiu a quantidade de água nos reservatórios e, por consequência, houve a necessidade de ligar as termelétricas, que possuem um custo bem mais elevado e que chega na ponta para o consumidor”, justifica Dietze.

Os alimentos também pesaram na inflação da RMSA. O grupo alimentos e bebidas, de maior peso no IPCA da região, subiu 10,11%. No entanto, quando se observa o subgrupo alimentação fora no domicílio, que são os produtos comprados no mercado, esse subiu 12,29%. Dos alimentos, os destaques vão para a alta do café moído (52,14%), e das frutas como a manga (42,91%), mamão (32,38%), melancia (25,95%).

No sentido inverso, alguns – poucos – itens ajudaram a amenizar o aumento da inflação na região. O principal deles foi o arroz com queda de 13,58%. A safra do ano foi muito positiva o que conseguiu contornar o problema dos preços vivido no início do ano passado.

“A carne de porco caiu 6%. Com a carne bovina subindo de preço, a população tentou encontrar alternativas de consumo de proteína animal e a carne suína foi uma delas. Além disso, houve um aumento expressivo de abates desse tipo de animal, o que contribuiu para reduzir os preços para o consumidor”, pontua o consultor econômico da Fecomércio-BA.

E o que esperar para 2022?

De acordo com o economista, Guilherme Dietze, a inflação continuará em patamares elevados. No entanto, os principais efeitos da pandemia sobre os preços já foram absorvidos entre 2020 e 2021.

“O que deve acontecer por agora é algo mais residual. Para ficar mais claro, no ano passado o petróleo dobrou, de 40 para 80 dólares o barril. Neste ano, a previsão é que fique oscilando próximo a esse valor, e não ter uma nova escalada significativa”, comenta Dietze.

Sendo assim, os preços dos combustíveis devem ficar mais comportados e tem outro fator importante. A safra da cana de açúcar deve ser 20% maior em 2022, impactando não somente no preço do etanol, mas no valor da gasolina, pois participa com até 27% da sua composição.

“As chuvas estão contribuindo para o aumento dos reservatórios e diminuindo a pressão para aumentos significativos do custo da energia neste ano. O preço continuará caro até meados do ano, porém por motivo de ter que pagar o custo a mais de produção de energia ao longo de 2021”, salienta o economista.

No campo da alimentação, as safras tendem ser bastante positivas e o consumidor pode sentir um pouco mais de alívio ao longo deste ano.

“O que pesará negativamente será a sequência de reajustes, do transporte público, matrícula escolar, IPVA, aluguéis, remédios, planos de saúde etc. A inflação do ano passado será carregada, de certa forma, para este ano, mantendo o IPCA ainda num patamar elevado”, destaca o consultor econômico da Federação.

Dietze avalia que “mais para o final de 2022 é que a inflação deve convergir para um nível próximo a 6%, mesmo assim muito alta para momentos de crises com desemprego ainda atingindo parte da população”.