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Novembro, mês da Black Friday, deve registrar alta nas vendas de 5,4% na Bahia, aponta Fecomércio-BA

Sistema Comércio
1 de novembro de 2021
Novembro, mês da Black Friday, deve registrar alta nas vendas de 5,4% na Bahia, aponta Fecomércio-BA

Injeção do 13º salário deverá ser o combustível para aquecer vendas no comércio

De acordo com projeções da Fecomércio-BA, o comércio varejista da Bahia deve registrar crescimento nas vendas de 5,4% no segundo mês mais importante para o setor no ano (novembro) período quando ocorre a Black Friday. Embora não sejam informações específicas sobre a data, serve como termômetro para o desempenho do evento.

Isso porque, diferentemente do Dia das Crianças, Dia dos Pais ou Dia dos Namorados, que movimentam um grupo menor de segmentos do comércio, a Black Friday se aproxima mais do comportamento do Natal, envolvendo uma gama maior de atividades.

Para o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, mesmo comparando com o mesmo período de 2019, a pré-pandemia, o comércio tende a ter um resultado positivo de 5,9%. E um dos principais fatores para o desempenho favorável esperado é a injeção do 13º salário, com a primeira parcela a ser paga até o dia 30 do mês. “Muitos trabalhadores já tiveram o seu 13º salário adiantado no início do ano, porém o maior volume é, de fato, no final do ano”, pontua Dietze.

Segundo dados do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia, a Bahia possui atualmente um estoque de 1,8 milhão de trabalhadores com carteira assinada, 100 mil a mais do que em relação a 2020. Ou seja, um contingente maior de pessoas que deve receber o 13º salário, mesmo que seja de forma proporcional a sua entrada no mercado de trabalho.

“É sabido, no entanto, que Salvador, por exemplo, está com recorde de famílias endividadas e inadimplentes, como mostra a Pesquisa de

Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio-BA. “Desta forma, parte – ainda a saber o percentual – será destinada a pagamento de contas e dívidas, mas haverá um montante reservado para as compras de fim de ano, estimulando as vendas”, esclarece Dietze.

Dos setores mais ligados a Black Friday, o destaque das projeções de vendas para o mês de novembro é das lojas de vestuário, tecidos e calçados, com alta anual de 10,5%. Os estoques remanescentes da pandemia ainda estão altos e, com isso, o empresário precisa colocar preços mais baixos para atrair os consumidores.

Outro destaque é para o setor de móveis e decoração com a alta esperada de 9,6%. Como também os supermercados com crescimento projetado de 6,2%. “A inflação trouxe um fôlego a menos para os consumidores. A Black Friday pode ser um momento de conseguir bons descontos e amenizar um pouco os impactos da inflação”, destaca o economista.

As concessionárias de veículos e motos devem crescer 25,2%, a maior alta projetada no mês entre os segmentos. Mas, tradicionalmente, não é uma atividade muito ligada à Black Friday, pois envolve bens duráveis, bem mais caros.

As demais altas devem ser de: supermercado (6,2%), outras atividades do comércio (4,4%) e farmácias e perfumarias (2,9%).

Somente dois segmentos devem apontar para o negativo, segundo o modelo de projeção: eletrodomésticos e eletrônicos (-3,3%) e materiais de construção (-0,6%). Não muito a se preocupar por conta da base forte de comparação, pois os dois setores atingiram recorde de faturamento para o mês, em novembro de 2020.

ATENÇÃO – O economista lembra de um ponto importante, “este levantamento não trata de varejo eletrônico, somente das vendas nas lojas físicas. Embora o e-commerce tenha crescido nos últimos anos, tem uma

parcela de participação relativamente pequena, de 5% das vendas do comércio”.

Enfim, o ano de 2021 foi bastante desafiador, com altos e baixos, porém chegando ao final do ano com expectativas positivas para as vendas no comércio. O ritmo da Black Friday também é um sinalizador para o Natal, ou seja, pode continuar um bom ritmo de compras em dezembro.

Portanto, os empresários têm de aproveitar este momento para liquidar seus estoques, fazer liquidez, dinheiro no caixa para poder pagar os compromissos de início de ano e barganhar com fornecedores preços melhores para repassar menos ao consumidor num momento de inflação elevada.

E para o consumidor, é a chance das oportunidades, de comprar produtos desejados por um preço mais baixo e até mesmo antecipar compras de presentes para o Natal, evitando sempre aquela aglomeração que ocorre na sua véspera.