FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

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O comércio e a retomada do ciclo de juros altos no país

Comércio, Economia, Sistema Comércio
13 de outubro de 2021
O comércio e a retomada do ciclo de juros altos no país

Carlos de Souza Andrade, presidente da Fecomércio-BA

Não resta dúvidas de que o comércio de bens, serviços e turismo foi o setor produtivo mais impactado pela pandemia do novo coronavírus, diante das medidas de isolamento social e o consequente fechamento das atividades econômicas. Mas o setor apoiou a luta contra a Covid19, ciente que a vida é o maior dos bens e defendeu a vacinação em massa como o remédio para que a economia voltasse a funcionar.

O processo de vacinação se acelerou, sobretudo na Bahia e em nossa capital, assim, a população começa gradualmente a retornar a vida normal e estamos também retomando, ainda que lentamente, os níveis de geração de emprego e renda, e o faturamento das empresas vem se recuperando.

Mas a Fecomércio-BA – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia continua preocupada com a política econômica agora adotada pelo Governo Federal de combater a inflação apenas com o acréscimo da taxa de juros.  O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central aumentou a taxa básica de juros Selic para 6,25% e já anunciou que haverá novos aumentos sucessivos de 1% chegando ao final deste ano num patamar estimado de 8,25%. Tal medida encarece o crédito e atinge diretamente a atividade comercial. Após os prejuízos de 2020 e início de 2021 com a paralisação das atividades comerciais, de serviços e turismo, o setor esperava recuperar as perdas neste último trimestre do ano, mas o atual cenário de juros altos afugenta os compradores e a inflação enfraquece o poder aquisitivo da população. Logo, diminuem-se as vendas.

Estamos, portanto, alarmados com a retomada no Brasil do ciclo juros altos/inflação. O Governo necessita de outras formas para conter os preços, a exemplo do corte dos gastos excessivos com a máquina pública. Além disso, frente a essa política contracionista que vai impactar o setor, será necessário a adoção de medidas compensatórias para minorar o impacto negativo.

O comércio de bens, serviços e turismo responde por cerca de 70% do PIB (Produto Interno Bruto) e precisa que o poder público, em suas três esferas, efetive uma reforma tributária, pelo menos com a dilatação do prazo de pagamento de impostos, carências e parcelamentos, dando fôlego aos micro, pequenos e médios empresários, que são os responsáveis pela maior geração de empregos em nosso país. Ao mesmo tempo em que se torna fundamental a ampliação do Pronampe e das linhas de crédito com juros subsidiados para o segmento MPE, uma vez que se tornará inviável o crédito a juros nesse momento. O setor empresarial precisa do apoio do Governo para enfrentar mais esse desafio.