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Vendas no Natal caem 3,5% e o comércio fecha 2020 com o menor faturamento dos últimos 10 anos, calcula Fecomércio-BA

Comércio
15 de maio de 2021

Outros setores que ficaram no negativo no mês foram Vestuário e Calçados (-18,4%), Outras Atividades (-9,7%) e Eletrodomésticos e eletrônicos (-5,6%). Desses, o que chama a atenção é o último, pois estava numa tendência bastante positiva nos meses anteriores e que também mostra que sem o auxílio emergencial, as vendas sofrerão bastante.

“No campo positivo, o destaque foi do setor de Materiais de Construção que apontou alta anual de 30,5%. Pode-se perguntar o por quê do setor de eletroeletrônicos ter caído e de materiais ter crescido, sendo que ambos estavam num mesmo ritmo de crescimento. Alguns pontos podem explicar, o primeiro é que as obras civis são demoradas, então quem decide por fazer uma reforma em agosto, vai precisar de um tempo para conclui-la, ou seja, mantendo a necessidade de compras. Além disso, os preços dos produtos tiveram um forte aumento e que impacta no faturamento do setor”, afirma Dietze. 

As demais altas foram das farmácias e perfumarias (6,2%), móveis e decoração (1,7%) e concessionária de veículos (1,4%). Portanto, as vendas do Natal ficaram bem abaixo das expectativas e parece que as últimas parcelas do auxílio emergencial foram poupadas pelas famílias para o início de 2021 incerto, pois já após o período eleitoral, em novembro do ano passado, falava-se sobre o aumento de casos do coronavírus e possível segunda onda, e foi o que aconteceu.

ANO DE 2020

Com o resultado de dezembro, encerra-se o ano de 2020 para o varejo baiano com o seu pior desempenho dos últimos 10 anos. O faturamento atingiu os 102,5 bilhões de reais, 6,7% a menos em relação a 2019, ou uma diferença em termos monetários de R$ 7,36 bilhões.

“O balanço do ano pode ser analisado por dois ângulos diferentes. O primeiro é o copo meio cheio em que o resultado, relativamente, foi muito melhor do que se esperava nos meses de março e abril, de queda de cerca de 25%. E pela visão do copo meio vazio, o resultado do ano foi um pouco pior do que havia de expectativa no final do ano passado, de -5,5% contra os atuais -6,7%”, explica o economista.

Dietze pontua que “de qualquer forma, o comércio reagiu à crise, sobretudo com a injeção do 17 bilhões de reais do auxílio emergencial. 

Evidentemente, nem tudo foi para o consumo, parte foi para o pagamento de contas e dívidas e parte para a poupança. Porém, é razoável dizer que o benefício tenha colaborado com cerca de 15% das vendas no ano”.
A contribuição dele foi expressiva para alguns setores como o de materiais de construção, eletroeletrônicos e de móveis, que registram alta acumulada de 16,2%, 9,1% e 6,4%, respectivamente. Também influenciou no bom desempenho dos supermercados (4,1%) e farmácias e perfumarias (1,3%).  

Para Guilherme Dietze, alguns segmentos não conseguiram se recuperar ao longo do segundo semestre como foi o caso de Vestuário, tecidos e calçados (-34%), das concessionárias de veículos (-24,1%) e do grupo Outras Atividades (-20,3%). Esses sofreram além da pandemia, por terem características menos necessárias. “Ou seja, com as pessoas passando mais tempo em suas casas diminuiu drasticamente a necessidade roupas novas, de gastar combustível para ir ao trabalho ou circular pela cidade, de pensar em comprar ou trocar de carro e etc”.

“A grande preocupação no momento é que os desempenhos dos últimos meses de 2020 sinalizam para um início de 2021 bastante fraco. Fim do auxílio, medo de perder o emprego, crescimento da segunda onda do coronavírus, inflação de alimentos pesando no bolso das famílias, são fatores que restringem o consumo”. 

Ainda conforme Guilherme Dietze, a situação só deve melhorar quando houver uma vacinação mais ampla, “caso contrário, o ritmo será de crescimento muito baixo, muito mais pela base fraca de comparação do que uma melhoria nas condições econômicas das famílias”, finaliza o consultor econômico da Fecomércio-BA.