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ICEC | MAIO 2026

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5 de junho de 2026

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO DE SALVADOR TEM FORTE QUEDA EM MAIO DE -5,5%, APONTA FECOMÉRCIO BA

Guerra do Irã, pressão inflacionária e juros elevados reduzem expectativas no curto prazo.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou forte queda de 5,5% em maio, passando de 104,3 pontos em abril para 98,6 pontos. Com isso, o indicador ficou abaixo da linha dos 100 pontos, que separa a zona de confiança da de pessimismo. Na comparação com maio do ano passado, a retração foi de 9,1%.

O resultado marca uma deterioração mais intensa do humor empresarial em Salvador. Nos meses anteriores, o indicador já vinha oscilando: queda em janeiro, novo recuo em fevereiro, recuperação pontual em março e retração em abril. A análise de março já alertava que a coleta havia ocorrido antes do agravamento do conflito envolvendo o Irã, com risco de impacto negativo nos meses seguintes; em abril, esse ambiente mais cauteloso já aparecia associado à pressão sobre petróleo, combustíveis, alimentos, juros elevados e perda de capacidade de consumo das famílias.

Em maio, esse risco se materializou de forma mais clara. A guerra do Irã ampliou a incerteza internacional e reforçou pressões de custos, tanto diretas, por meio de combustíveis e insumos, quanto indiretas, pela transmissão para fretes, alimentos e demais preços da cadeia produtiva. Para o comércio, esse ambiente afeta simultaneamente as margens das empresas e o orçamento das famílias, reduzindo o espaço para consumo.

O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) caiu 7,5%, para 75,6 pontos. A piora foi disseminada: a avaliação da economia recuou 9,7%, as condições atuais do comércio caíram 6,9% e a percepção sobre as próprias empresas diminuiu 6,6%. Esse conjunto mostra que a perda de confiança não está restrita às expectativas, mas já aparece na leitura do presente.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que vinha sustentando parte do otimismo nos meses anteriores, também teve queda expressiva, de 6,2%, chegando a 128,3 pontos. Apesar de ainda permanecer acima de 100 pontos, o movimento indica forte perda de fôlego. A maior queda ocorreu na expectativa em relação à economia brasileira, de 7,8%, seguida pela expectativa para o comércio, de 6,8%, e pelas próprias empresas, de 4,3%.

Também houve retração no Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), que caiu 2,8%, para 91,8 pontos, aprofundando o quadro pessimista. O destaque negativo foi o nível de investimento das empresas, com queda de 4,4% no mês e de 17,9% em relação a maio do ano passado. A situação dos estoques também piorou, enquanto o indicador de contratação recuou 1,3%.

Dessa forma, maio consolida um cenário mais adverso para o comércio de Salvador. A combinação entre guerra do Irã, inflação direta e indireta, juros elevados e ausência de sinais consistentes de melhora no curto prazo tende a manter os empresários mais cautelosos. O ambiente sugere menor disposição para investir, contratar e ampliar operações, ao menos até que haja redução das incertezas externas.

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