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ICF | MAIO 2026

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5 de junho de 2026

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM MAIO E MARCA MENOR NÍVEL EM SETE MESES, APONTA FECOMÉRCIO BA

Inflação mais alta na região tem impactado ímpeto de consumo.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, voltou a recuar em maio, passando de 107,6 pontos em abril para 106,7 pontos, queda de 0,8%. Esse é o menor nível desde outubro de 2025. A leve alta de abril não se sustentou, e o ICF acumula perda de 4,7% desde o pico de 112 pontos registrado em janeiro. Na comparação anual, o recuo também é de 0,8%. O índice varia de 0 a 200 pontos — abaixo de 100 indica pessimismo e acima de 100, otimismo. O ICF segue acima dessa linha, mas com margem cada vez mais estreita para as famílias de menor renda.

A divergência entre as faixas de renda é um ponto importante para a análise de maio. As famílias com renda até 10 salários mínimos recuaram 1,2%, chegando a 103,1 pontos — o menor nível desde novembro de 2025 e a apenas 3 pontos da zona de pessimismo. No polo oposto, as famílias com renda acima de 10 salários mínimos avançaram 2,2%, atingindo 145,5 pontos, o maior patamar dos últimos meses para esse grupo. A distância entre os dois segmentos ampliou-se de 38 pontos em abril para 42 pontos em maio. O cenário de inflação mais alta em grupos de consumo essenciais tem afetado mais o humor das famílias de renda mais baixa, evidentemente.

O Emprego Atual continua sendo o principal pilar do índice, avançando 1,1% e chegando a 130,3 pontos — a maior pontuação entre todos os componentes. A Renda Atual também apresentou leve alta de 0,7%, acumulando três meses consecutivos de melhora. No campo negativo, o Momento para Duráveis registrou a maior queda do mês, de 4,5%, chegando a 65,8 pontos, indicando que boa parte das famílias seguem, em sua maioria, mais negativas na intenção de compras de bens como geladeiras e fogões. A Perspectiva de Consumo recuou 2,8%, para 111,6 pontos, e o Nível de Consumo Atual manteve-se pelo terceiro mês seguido abaixo de 100, em 96,1 pontos. O Acesso ao Crédito segue em trajetória de queda pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 101,6 pontos.

Merece destaque a Perspectiva Profissional, que acumula queda de 12,2% na comparação anual — passando de 135,9 pontos em maio de 2025 para 119,4 pontos agora —, a maior deterioração anual entre todos os componentes. A Fecomércio BA já observou esse movimento no passado recente, de um olhar de menos oportunidades para o futuro próximo, uma vez que o mercado de trabalho está aquecido. Ou seja, é mais um ajuste de otimismo do que um olhar pessimista.

Para as famílias de até 10 salários mínimos, o quadro é mais adverso: Nível de Consumo Atual (90,9 pts), Momento para Duráveis (63,7 pts) e Acesso ao Crédito (98,1 pts) estão todos abaixo de 100, apontando restrição de consumo e crédito nesse grupo.

O recuo de maio reflete pressões que seguem ativas no cotidiano das famílias: a guerra no Irã continua influenciando os preços de combustíveis e alimentos na região metropolitana de Salvador, e os juros elevados inibem decisões de consumo de maior valor. A recuperação do índice nos próximos meses dependerá, em boa medida, de uma acomodação nesses preços. Sem essa reversão, o grupo de menor renda corre o risco real de cruzar para o campo pessimista.

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