ICEC | JUNHO 2026
ICEC VOLTA AOS 100 PONTOS EM JUNHO APÓS FORTE QUEDA EM MAIO, APONTA FECOMÉRCIO BA
Alta não esconde cenário adverso: juros, custos, carga tributária e endividamento do consumidor ainda pesam sobre o setor.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou alta de 1,6% em junho, passando de 98,6 pontos em maio para 100,2 pontos. Com isso, o indicador retorna ao campo positivo, superando novamente a linha dos 100 pontos que separa a zona de confiança da de pessimismo. Na comparação com junho do ano passado, quando o índice marcava 107,5 pontos, a queda é de 6,8%.
O resultado interrompe a sequência de quedas que marcou os dois meses anteriores e representa um alívio pontual após o tombo de 5,5% registrado em maio, quando o índice havia caído abaixo dos 100 pontos pela primeira vez no ano. Contudo, a recuperação de junho é modesta e não apaga as perdas acumuladas. O cenário de fundo continua adverso: os juros permanecem elevados, os custos operacionais seguem pressionados, a carga tributária pesa sobre as margens e o consumidor chega ao meio do ano muito endividado — também reflexo do crédito caro. O retorno aos 100 pontos sinaliza estabilização, não uma retomada para uma zona mais confortável de otimismo.
O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) avançou 0,6% no mês, alcançando 76,0 pontos, mas permanece distante da zona de confiança e recua 5,8% em doze meses. A melhora foi tímida e desigual entre os componentes: a avaliação das condições atuais do comércio subiu 1,5%, atingindo 77,7 pontos, enquanto a percepção sobre a economia registrou alta de 0,6%, para 57,9 pontos. Já a avaliação das próprias empresas ficou praticamente estável em 92,5 pontos. O quadro geral do ICAEC continua sinalizando que, no dia a dia, o empresário não sente melhora efetiva: as condições de mercado seguem apertadas, com ritmo de vendas ainda aquém do desejado e custos pressionando as margens.
O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) subiu 1,4% em junho, chegando a 130,1 pontos — ainda assim, 5,8% abaixo do registrado em junho de 2025. O componente que mais contribuiu para a alta foi a expectativa em relação à economia brasileira, que avançou 4,0%, alcançando 118,5 pontos. Já a expectativa para o comércio cresceu apenas 0,2%, para 129,7 pontos, e a perspectiva das próprias empresas registrou alta igualmente modesta, de 0,3%, em 142,1 pontos. Embora o IEEC continue em nível elevado e acima da linha dos 100 pontos, a recuperação é concentrada na visão macroeconômica, mais um ajuste após melhor entendimento sobre a guerra, enquanto as perspectivas setoriais e empresariais praticamente não avançaram — o que indica que o empresário ainda não traduz uma melhora do ambiente geral em maior otimismo para o seu próprio negócio.
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) foi o que apresentou a melhor performance relativa no mês, com alta de 2,9%, passando de 91,8 para 94,5 pontos. Apesar do avanço, o indicador permanece em zona pessimista e acumula queda de 8,9% em doze meses. Os três componentes contribuíram positivamente: o nível de investimento das empresas subiu 3,2%, para 91,5 pontos; o indicador de contratação de funcionários avançou 2,7%, chegando a 106,9 pontos; e a situação dos estoques cresceu 2,8%, atingindo 85,0 pontos. A recuperação do IIEC, embora bem-vinda, deve ser interpretada com cautela: ela parte de uma base muito baixa, após a forte deterioração de maio, e ainda não reflete disposição genuína de ampliar investimentos e quadro de pessoal em escala significativa.
De forma geral, junho traz um alívio esperado após o recuo expressivo de maio, mas não sinaliza mudança de tendência. O setor do comércio de Salvador segue asfixiado de todos os lados: juros elevados encarecem o crédito e travam investimentos; os custos operacionais e a carga tributária corroem as margens; e, do lado do consumidor, o endividamento elevado — igualmente reflexo dos juros altos — limita o potencial de consumo e eleva o risco de inadimplência. A tendência do ICEC é de oscilação em torno dos 100 pontos, uma vez que o cenário não deve mudar no futuro próximo.