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Federações empresariais do setor produtivo fazem mobilização  contra votação da PEC 6×1 em período eleitoral 

Política, Sistema Comércio
31 de agosto de 2026
Federações empresariais do setor produtivo fazem mobilização   contra votação da PEC 6×1 em período eleitoral 

  Comércio, Agricultura, Indústria e Transportes pedem que a PEC do fim da escala 6×1 não seja votada antes das eleições 

 Na manhã desta segunda-feira (31/08), os presidentes da Fecomércio BA, FAEB, Fetrabase e FIEB atenderam à imprensa, na sede do Sebrae, em Salvador, para manifestar a posição unificada das Federações empresariais contra a votação, em plena campanha eleitoral, da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), em discussão no Senado, que propõe mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. 

A iniciativa integrou a campanha nacional “Agora, Não!”, deflagrada pela CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, neste sábado (29/08), que defende maior debate e análise dos impactos econômicos da proposta antes de uma mudança constitucional dessa dimensão. Contando com a adesão das Federações e sindicatos empresariais, a campanha reúne esforços em busca pela estabilidade financeira essencial para o futuro da economia brasileira.

“Não somos contra a discussão sobre uma nova jornada de trabalho. Somos contra transformar um tema dessa relevância para a sociedade brasileira em bandeira eleitoral. Uma mudança dessa dimensão tem impactos diretos sobre trabalhadores, empresas, empregos, produtividade e custos, especialmente no nosso setor. Precisa ser construída com diálogo, estudos e ampla participação de todos os envolvidos”, declarou o presidente da Fecomércio BA, Kelsor Fernandes, que teve a iniciativa de mobilizar as Federações baianas. 

“A discussão sobre a redução da jornada de trabalho é legítima e merece a atenção de toda a sociedade. No entanto, ela precisa ser conduzida de forma técnica, responsável e baseada em diálogo. Em setores como a indústria, especialmente nas operações que funcionam em regime de turnos, essas mudanças exigem uma profunda reestruturação. Muitas empresas operam com escalas específicas e processos contínuos. A adoção de novas jornadas pode demandar a criação de mais turnos, a contratação de novos profissionais e o aumento dos custos operacionais, o que requer planejamento, tempo de adaptação e negociações entre as partes envolvidas”, declarou Carlos Passos, presidente da FIEB, acrescentando que “Nossa preocupação é que mudanças dessa magnitude sejam aprovadas sem uma avaliação adequada de seus impactos econômicos e sociais. É fundamental evitar o engessamento das relações entre empresas e trabalhadores, preservando a capacidade de negociação que permite adaptar soluções às diferentes realidades dos setores produtivos”. 

 

“A nossa defesa é que haja uma escuta coletiva do setor empresarial baiano para entender melhor os cenários e os impactos de uma decisão desta magnitude. Como também acredito que seja necessário ouvir o setor trabalhista e os trabalhadores para entenderem o que está sendo votado e pautado nesta discussão”, esclarece  o presidente da Faeb, Humberto Miranda.  

 

“A Federação dos Transportes não é contra a flexibilização; é contra o engessamento dessa escala. Estamos reunidos aqui hoje para discutir que essa questão não pode ser debatida no calor deste momento, durante o período eleitoral, e que as empresas não podem arcar com esses custos injustos”, destaca Décio Barros, presidente da Fetrabase. 

O grupo que representa os empresários baianos faz um apelo aos Senadores que debatem a PEC que limita a carga horária nacionalmente sobre os graves riscos de acelerar uma mudança constitucional rígida sobre a jornada de trabalho em um momento de acentuada fragilidade econômica. 

O setor produtivo destaca que a economia brasileira já enfrenta condicionantes severos: juros altos, crédito caro e restritivo, endividamento recordes das famílias, inadimplência sem precedentes entre as empresas, desinvestimento e saída de empresas estrangeiras do País. Ao mesmo tempo, o fim da Taxa das Blusinhas, um agravante na concorrência desleal para o varejo nacional, também é avaliado como parte do pacote de aprovações em um período sensível em que interesses políticos atravessam escolhas econômicas.