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ICEC | AGOSTO 2026

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2 de setembro de 2026

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO ESTABILIZA EM AGOSTO, MAS CONDIÇÕES ATUAIS SEGUEM EM QUEDA, APONTA FECOMÉRCIO BA

Índice marca 104,6 pontos e permanece praticamente estável, mas deterioração das condições atuais pelo segundo mês seguido revela que o cenário adverso está se materializando no dia a dia do setor.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou 104,6 pontos em agosto — queda de apenas 0,1% em relação aos 104,7 pontos de julho, variação que configura estabilidade técnica. Na comparação com agosto do ano passado, quando o índice marcava 106,4 pontos, o recuo é de 1,7%. O resultado de superfície, contudo, esconde uma dinâmica interna preocupante: enquanto o índice geral permanece estável, as condições atuais deterioram pelo segundo mês consecutivo e as expectativas se acomodam num patamar baixo, sem perspectiva de recuperação no curto prazo.

A leitura mais relevante de agosto está na relação entre expectativas e condições atuais. Nos meses anteriores, o IEEC acumulou quedas expressivas — os empresários antecipavam um cenário mais difícil à frente. Agora, esse pessimismo parece ter chegado a um piso: as expectativas se estabilizaram em patamar baixo, sem novas quedas significativas. O problema é que o que antes era projeção negativa está se tornando realidade no cotidiano do setor. As vendas mais fracas, o crédito caro e os juros elevados que antes pesavam sobre as expectativas aparecem agora nas condições atuais — e o ICAEC recua pelo segundo mês seguido, sinalizando que o ambiente adverso deixou de ser percepção para se tornar experiência concreta do empresário.

O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) recuou 2,2% em agosto, chegando a 77,4 pontos — 6,6% abaixo de agosto de 2025. Os três componentes contribuíram negativamente: a avaliação da economia caiu 2,9%, para 59,1 pontos, a percepção sobre as condições do comércio recuou 2,8%, para 79,0 pontos, e a avaliação das próprias empresas cedeu 1,3%, para 94,2 pontos. Com juros elevados encarecendo o crédito para capital de giro, comprimindo margens e sustentando a inadimplência do consumidor, o empresário do comércio não encontra no presente os alicerces para uma recuperação — e o ICAEC, já distante dos 100 pontos, segue se afastando ainda mais da zona de confiança.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) recuou 0,3% em agosto, chegando a 135,7 pontos — variação anual de -0,9%, a menor distância negativa em relação ao ano anterior em meses. A expectativa para a economia brasileira cedeu 2,4% (121,6 pts), mas ainda sustenta alta anual de 0,9%. Já as expectativas para o comércio (+0,6%, 137,1 pts) e para as próprias empresas (+0,6%, 148,3 pts) registraram leve avanço mensal. O IEEC sinaliza acomodação: após as quedas expressivas acumuladas nos meses anteriores, o subíndice parece ter chegado a um piso. Os empresários já não projetam piora adicional relevante — mas também não enxergam gatilhos concretos de melhora, especialmente enquanto os juros permanecerem elevados e o espaço para cortes seguir condicionado à trajetória da inflação.

O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) avançou 1,9% em agosto, cruzando a linha dos 100 pontos pela primeira vez no ano, com 100,8 pontos — alta de 1,3% na comparação anual. O resultado, porém, deve ser interpretado com cautela. O salto foi impulsionado quase que exclusivamente pelo indicador de contratação de funcionários, que avançou 6,3%, chegando a 118,5 pontos. Esse movimento reflete, em grande medida, a sazonalidade típica do segundo semestre, quando o comércio começa a se preparar para a temporada de fim de ano com contratações temporárias. O nível de investimento das empresas, por sua vez, recuou 1,2% (94,5 pts), e a situação dos estoques ficou praticamente estável (-0,2%, 89,5 pts). Se o ritmo da economia não acelerar, até o impulso sazonal de contratações pode ser menor do que o habitual nos próximos meses.

De forma geral, agosto consolida um quadro de estabilidade aparente que, por dentro, revela deterioração. O índice geral permanece no mesmo patamar de julho, mas as condições atuais recuam, as expectativas se acomodam num nível mais baixo e o único avanço relevante vem de um componente com forte viés sazonal. O cenário que os empresários antecipavam nos meses anteriores — juros altos, vendas fracas, crédito restrito — está chegando ao presente. E enquanto a taxa básica de juros permanecer em patamar elevado, com espaço limitado para cortes diante das pressões inflacionárias em curso, o setor dificilmente encontrará as condições necessárias para uma retomada mais consistente da confiança.

 

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