Entrevista com Ana Carolina Alonso, coordenadora da Câmara da Mulher Empresária (CME) da Fecomércio BA
Entrevista Pingue Pongue com Ana Carolina Alonso, coordenadora da Câmara da Mulher Empresária (CME) da Fecomércio BA
A força do empreendedorismo feminino na Bahia
No Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino, Ana Carolina Alonso destaca os desafios, as oportunidades e a importância das conexões para fortalecer os negócios liderados por mulheres.
Celebrado em 19 de novembro, o Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino chama a atenção para a participação das mulheres nos negócios, suas conquistas e os desafios que ainda enfrentam para crescer e conquistar autonomia financeira. Na Bahia, iniciativas voltadas à capacitação e à conexão entre empresárias contribuem para o fortalecimento desse cenário. Coordenadora da Câmara da Mulher Empresária (CME) da Fecomércio-BA, a administradora e empresária Ana Carolina Alonso fala sobre a importância da data, os desafios de empreender, o papel do associativismo e as ações que incentivam o protagonismo feminino no ambiente empresarial, como o Mulher + Comércio e o livro Mulheres Empreendedoras da Bahia.
- O Dia Nacional do Empreendedorismo Feminino, celebrado em 19 de novembro, é uma oportunidade para dar visibilidade à participação das mulheres nos negócios. Qual é a importância de uma data como essa para o fortalecimento do empreendedorismo feminino na Bahia e para a sociedade?
A data ajuda a dar destaque às histórias, aos desafios e às conquistas das mulheres empreendedoras. Também reforça que negócios liderados por mulheres são negócios que geram renda, empregos e desenvolvimento. Mais do que celebrar, é um momento para discutir os obstáculos que ainda limitam o crescimento dessas empresas. Fortalecer o empreendedorismo feminino é investir no desenvolvimento econômico e social de toda a sociedade.
- Para a senhora, quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem, especialmente na Bahia? E o que ainda precisa avançar para que elas tenham mais oportunidades de crescimento e autonomia nos negócios?
Acredito que um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem é conseguir se dedicar aos seus negócios ao mesmo tempo em que desempenham diversas outras funções, especialmente as de cuidado, já que a mulher continua sendo a responsável pela educação dos filhos, pela casa e, muitas vezes, pelo cuidado com os pais idosos. E é exatamente por isso que eu gosto de tratar o empreendedorismo feminino como ferramenta de transformação social. Com organização e planejamento, considero esse o caminho mais adequado para mulheres conseguirem equilibrar suas múltiplas funções e ainda assim terem autonomia financeira.
- O empreendedorismo feminino também passa pela construção de redes. Qual é a importância do associativismo e da conexão entre mulheres empreendedoras para superar desafios, trocar experiências e abrir novas oportunidades de negócios?
Empreender em redes possibilita encurtar caminhos. A troca de conhecimento entre os membros amplia resultados e reduz o tempo para a descoberta de novas soluções. O associativismo é ainda mais fundamental para mulheres, já que, em grandes redes, é possível alcançar resultados ainda mais expressivos para a melhoria do ambiente de negócios. Além disso, com dificuldades parecidas, uma empreendedora impulsiona a outra e as chances de sucesso são muito maiores. Quando uma mulher fortalece seu negócio, ela amplia sua autonomia e a capacidade de transformar sua própria realidade. E quando muitas mulheres crescem juntas, o impacto ultrapassa seus negócios e alcança suas famílias e comunidades.
- A Câmara da Mulher Empresária da Fecomércio BA atua justamente na promoção e no fortalecimento do empreendedorismo feminino. Qual é o papel da CME nesse cenário e quais ações têm sido desenvolvidas para apoiar as mulheres empresárias?
A Câmara da Mulher Empresária da Fecomércio BA desenvolve soluções que possam fortalecer e ampliar a participação das mulheres no ambiente de negócios. Neste ano, nossa principal realização é o Mulher + Comércio, que foi desenvolvido para atender necessidades das empreendedoras através de capacitação, acesso a mecanismos para desenvolvimento dos seus negócios e ampliação de comunidade empreendedora, através da conexão com outras mulheres.
- Sobre o Mulher + Comércio, com o tema “Conexões Femininas nos Negócios”. O que motivou a realização de mais uma edição e o que o evento pretende proporcionar às participantes?
A Fecomercio entende a importância das mulheres na esfera produtiva e o seu papel como importante gerador de emprego e renda para a sociedade através dos seus negócios. O sucesso da primeira edição do evento, e a crescente participação das mulheres no empreendedorismo, foram impulsionadores para que trouxéssemos mais uma edição do maior evento de empreendedorismo feminino da Bahia. O Mulher + Comércio é inteiramente pensado para as necessidades das empreendedoras, com desenvolvimento, capacitação real e muita troca de experiências. Neste ano teremos, ainda, o espaço “De dona para dona”, onde empresárias consolidadas levarão conhecimento através de mesas de mentorias. Está imperdível!
- A senhora foi curadora do livro “Mulheres Empreendedoras da Bahia”, lançado pelo Sistema Comércio BA, que reúne as histórias de 19 mulheres à frente de seus negócios. O que essas trajetórias revelam sobre o empreendedorismo feminino no estado e por que é importante registrar e compartilhar essas histórias?
Mulheres se espelham em outras mulheres. O livro foi um presente para que todas conheçam as caminhadas de sucesso de outras mulheres empreendedoras e acreditem que é possível chegar lá. Enquanto se inspiram nas histórias das que vieram antes, elas conseguem acreditar em seus sonhos e seguir em frente em busca do fortalecimento dos seus negócios. Quase dois anos depois do seu lançamento, o livro ainda é um sucesso e mostra a importância de iniciativas como esta para o impulsionamento dos negócios criados e geridos por mulheres reais.
- Olhando para os próximos anos, que mudanças a senhora considera fundamentais para ampliar a presença e o protagonismo das mulheres no ambiente empresarial? E que mensagem deixaria para as mulheres que estão pensando em empreender ou que já estão nessa caminhada?
Considero que é fundamental que as mulheres realmente ocupem os seus espaços. Representatividade é feita ocupando cadeiras. Precisamos estar cada vez mais presentes em mesas de discussões sobre o ambiente de negócios. Para as empreendedoras eu digo sempre: acreditem nos seus negócios como negócios, organizem suas empresas, procurem comunidades que possam ajudar a vencer as dificuldades, pois elas existirão. Se posicionem como verdadeiras empresárias e sigam em frente!