FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

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Entrevista com Kelsor Fernandes, presidente do Sistema Comércio BA

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12 de agosto de 2026

Entrevista Pingue Pongue  com Kelsor Fernandes, presidente do Sistema Comércio BA

 

Futuro do comércio em construção

Com um segundo mandato pela frente, Kelsor Fernandes apresenta a continuidade de uma gestão pautada na aproximação e no incentivo aos empresários baianos.

A reeleição do presidente Kelsor Fernandes marca o começo de outra jornada do Sistema Comércio BA. Após um primeiro mandato dedicado ao fortalecimento da representatividade empresarial, ao início de grandes projetos de expansão do Sesc e Senac na capital e no interior, além da criação de iniciativas voltadas aos sindicatos, empreendedorismo e inovação, o desafio agora é transformar as diversas ações em motor para o crescimento do comércio de bens, serviços e turismo do estado por muitos anos. Nesta entrevista, o dirigente faz um balanço das entregas no quadriênio 2022-2026, fala sobre os próximos passos do Sistema e compartilha a visão que pretende deixar de legado até 2030.

  1. O senhor inicia um novo mandato após quatro anos marcados por inovações e fortalecimento institucional do Sistema Comércio BA. Quais são as principais prioridades desta gestão? 

A minha prioridade é continuar o trabalho de representação do empresário do comércio de bens, serviços e turismo e a defesa intransigente do nosso setor. Continuar o diálogo forte com os poderes públicos e, claro, dentro do planejamento que temos, dar continuidade àquilo que traçamos como meta, que é o fortalecimento do Sistema como um todo e sua ampliação para o interior. Hoje, temos algumas cidades importantes que não têm um único serviço do Sistema, então precisamos ter um olhar voltado para elas. Além disso, manter a preocupação com o ser humano, com o nosso público e colaboradores, garantindo boas condições de trabalho. Ampliar a oferta de qualificação é outro ponto importante, pois traz a certeza de que estamos cumprindo nossa missão: capacitar as pessoas para que tenham uma vida digna.

  1. Na sua primeira gestão, a Fecomércio BA lançou iniciativas como o Programa SIMndicato, voltado ao reconhecimento e valorização dos sindicatos filiados. Como o programa pretende tornar as entidades sindicais ainda mais sustentáveis, modernas e próximas dos empresários?  

Estamos fazendo algo completamente inovador no Sistema sindical. O programa SIMndicato é algo que jamais foi pensado e, nesse primeiro mandato, vimos claramente uma mudança de comportamento dos sindicatos. Além do ganho de mais representatividade, as associações começaram a se fortalecer novamente, nesse cenário pós-reforma Trabalhista, que instituiu a contribuição sindical facultativa.

Entramos no terceiro ano desse programa, cujo case já foi premiado com o segundo lugar na categoria de Boas Práticas do Prêmio Atena, iniciativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e já colhemos frutos como sindicatos montando sede e contratando colaboradores. O mesmo acontece na capital, com sindicatos instalados em sedes que aproximam o contato e o diálogo com o seu público. É justamente isso que nós queremos: fortalecer efetivamente os sindicatos para que eles possam ser representativos em suas bases de representados, sejam municipais ou estaduais.

  1. O Clube Fecomércio nasceu como uma ferramenta para ampliar benefícios aos empresários e fortalecer o associativismo. Há previsão de novos serviços, parcerias ou soluções que possam aumentar o valor percebido pelos associados nos próximos anos? 

Esse projeto me surpreendeu, porque historicamente os empresários não tinham uma ligação direta com a Fecomércio. Quando lançamos o Clube Fecomércio, achávamos que ia ser um processo lento, mas está extremamente acelerado, tem tido uma adesão muito forte, porque também fizemos bons convênios, temos bons produtos e serviços oferecidos dentro do Clube, que é voltado efetivamente para ajudar o pequeno empresário. Eu acho que é um projeto que veio numa hora excelente, pois ser empresário nesse país não é fácil. E quando se tem uma unidade que apoia o empresário, ele passa a reconhecer também a sua entidade.

Atualmente, um dos maiores objetivos do Clube é buscar caminhos para facilitar o acesso dos empresários às ferramentas de inteligência artificial. Além do uso dessa tecnologia, queremos desmistificar o e-commerce, principalmente entre os pequenos empresários. Isso porque muitos ainda enfrentam dificuldades para adotar a prática de vender seus produtos pela internet ou acham que seus negócios estão distantes dessa realidade.

Em nossos eventos já estamos mostrando que o e-commerce é um importante auxiliar dos negócios, que não é viável mais abrir mão dessa possibilidade. Já a IA veio para agilizar processos e modificar o mundo, impactando diretamente em todos os setores da economia mundial.

  1. A ampliação das Câmaras Empresariais tornou a Fecomércio BA mais especializada em diferentes segmentos da economia. A intenção é continuar expandindo esse modelo? Existem novos setores estratégicos que poderão ganhar câmaras próprias até 2030? 

As Câmaras realizam um diálogo permanente em torno de temáticas que tanto preocupam os empresários. Por isso, além das dez em atividades, acabamos de criar outras quatro para setores extremamente relevantes: alimentos, farmácia, sustentabilidade e energia. A ideia é fortalecer esses diferentes segmentos da economia dentro da Fecomércio, discutindo diversos temas atrelados, como energia solar e eólica.

As atuações são tão importantes que já renderam premiações reconhecidas nacionalmente. Com temas discutidos em uma das Câmaras, como redução de resíduos, circularidade e responsabilidade socioambiental, realizamos ações que levaram à conquista do selo Lixo Zero, por exemplo. Conseguimos, de forma inédita, esse selo para o Edifício Casa do Comércio, um feito nunca alcançado por nenhuma outra entidade do Comércio. O projeto “Venda Certa – Quipu”, uma iniciativa conjunta entre a nossa Câmara de Inovação e Tecnologia (CIT), Sebrae e Cubos Tecnologia, também foi vencedor do edital e-commerce.BR, lançado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em 2025.

  1. A criação do programa Meu Primeiro Negócio, idealizado pela Câmara do Jovem Empresário e hoje instituído pela Lei Municipal nº 9.903/2025, é um exemplo dessa visão. A Fecomércio BA pretende atuar para que essa iniciativa seja replicada em outras cidades baianas ou inspire novas políticas de incentivo ao empreendedorismo jovem? 

Salvador saiu na frente porque a iniciativa partiu das pautas trazidas nas reuniões da Câmara do Jovem Empresário. Mas a Fecomércio BA, enquanto uma entidade estadual, está aberta a todos os presidentes de sindicatos do interior, empresários, poderes públicos além da capital, prefeitos e vereadores que queiram conversar sobre essa iniciativa e encontrar formas de colocá-la em prática.

Nada é impossível se houver apoio e vontade política. E nos colocamos à disposição para ajudar. Para o programa ser replicado pela Bahia, é necessário um agente político assumir o projeto, transformando-o em uma política pública. O Sistema Comércio Bahia vai junto com o seu know-how para estar junto dessa cidade que queira tornar o projeto uma lei municipal.

  1. O processo de interiorização tem sido uma das marcas da sua gestão, com ampliação das atividades do Sesc e do Senac e novos investimentos em diversas regiões. Quais entregas concretas o empresário baiano pode esperar até 2030 nesse processo de expansão? 

Somente com o Senac, temos unidades em andamento em Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Jequié, Ribeira do Pombal e Camaçari. Também estamos fazendo um grande trabalho de revitalização do Sesc em unidades já existentes, com reformas estruturantes nas cidades de Alagoinhas, Barreiras, Jacobina, Jequié, Feira de Santana, Porto Seguro, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

No momento, temos o olhar voltado para o Oeste da Bahia, pois há cidades importantes como Luís Eduardo Magalhães e Barreiras. A interiorização é uma prioridade que estabeleci logo no início do primeiro quadriênio, mas algumas etapas não estão mais aceleradas porque tivemos que investir fortemente no Polo de Vivências Presidente José Roberto Tadros (Sesc Piatã), em Salvador. Essa obra privada representa um marco histórico para o estado, uma vez que envolve um investimento que gira em torno de R$ 300 milhões.

Como uma pessoa vinda do interior, entendo bem as carências no acesso a serviços nas áreas de educação, saúde, cultura e capacitação nessa região. Por conta disso, não abro mão da expansão do Sesc e Senac em mais municípios baianos. Enquanto estiver exercendo a função de presidente, o foco será a ampliação do Sistema Comércio para o interior baiano.

  1. O senhor tem defendido que o setor produtivo precisa ser ouvido na construção de políticas públicas. Como a Fecomércio BA pretende fortalecer esse diálogo com os poderes Executivo e Legislativo nos próximos quatro anos, especialmente em pautas como ambiente de negócios, tributação e relações de trabalho? 

Quando assumimos, tínhamos o seguinte pensamento: precisamos reposicionar a marca Fecomércio para os empresários, poder público e sociedade. E o nosso trabalho, nesse primeiro mandato, foi muito no caminho de diálogo permanente com os poderes públicos. Sabemos das dificuldades, que existem resistências, mas hoje eu posso dizer que nós temos um grande diálogo com essas frentes. E vamos continuar insistindo nisso.

Nós temos uma entidade representativa. Somos a entidade que representa 70% do PIB da Bahia. Eu brinco com meus parceiros da FIEB e FAEB, dizendo assim: olha, a Bahia tem indústria e agricultura, mas é eminentemente comércio. Então, a Fecomércio BA cobra uma parceria dos poderes públicos, mostrando também a importância, quantidade de empregos gerados e o tamanho do impacto do comércio de bens, serviços e turismo na vida das pessoas e na economia.

Pretendemos continuar assim, sendo firmes nas cobranças, mas, ao mesmo tempo, dialogando, procurando mostrar que temos condições de modificar e de dar melhores condições a quem empreende nesse estado.

  1. Como o senhor enxerga o papel da Federação na construção da Bahia dos próximos dez anos e qual será a principal contribuição da entidade para esse futuro? 

Nosso Sistema é sustentado em três pilares: credibilidade, sustentabilidade e representatividade. Eu não quero que pareça que viemos aqui para resolver o mundo. Cada um que passou fez um pedacinho e é uma obra que não vai acabar nunca. A Fecomércio, enquanto uma entidade representativa, vai estar sempre criando, discutindo e trabalhando. O que eu quero é que o empresário saiba que nós temos aqui uma preocupação de defendê-lo.

Nós nunca vamos deixar o diálogo de lado ou o compromisso com a sociedade de modo geral e com os poderes públicos. Precisamos discutir sistematicamente a carga tributária, o tamanho do Estado brasileiro e maneiras de aplicar a legislação, no sentido de encontrar caminhos para o fortalecimento do setor produtivo. Nossa preocupação é essa, estar sempre dialogando para deixar um legado de avanços em prol dos pequenos e grandes empresários do comércio de bens, serviços e turismo.