ICEC | ABRIL 2026
CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO RECUA 1% EM ABRIL E REFLETE AMBIENTE MAIS CAUTELOSO, APONTA FECOMÉRCIO BA
Juros altos por mais tempo e riscos sobre inflação e potencial de consumo contribuem para redução do otimismo no mês.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), calculado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou queda de 1% em abril, passando de 105,4 para 104,3 pontos. O resultado interrompe o avanço observado em março e indica um movimento de maior cautela por parte dos empresários do comércio de Salvador. Na comparação anual, o indicador apresenta estabilidade técnica de 0,1%.
A redução do ICEC ocorre em um contexto de crescente tensão internacional, especialmente após o agravamento do conflito envolvendo o Irã, que tem pressionado o preço do petróleo e, por consequência, em itens essenciais para as famílias da região, como gasolina e alimentos. Esse cenário global mais instável se soma aos desafios internos — juros elevados, inflação mais apertada no orçamento das famílias e aumento da incerteza política — e contribui para um ambiente de confiança mais restrito.
O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) recuou 2% no mês, atingindo 81,7 pontos. Apesar de ainda estar acima do nível registrado no mesmo período do ano passado, o indicador permanece em zona de pessimismo. A piora foi influenciada principalmente pela avaliação da economia, que caiu 5,3%, conforme mostram os dados: 63,7 pontos em abril contra 67,2 pontos no mês anterior. A percepção sobre o comércio também diminuiu, enquanto apenas a avaliação das próprias empresas apresentou leve alta.
As expectativas, por sua vez, mantiveram-se praticamente estáveis. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) permanece em 136,7 pontos. Embora o nível ainda seja elevado, o indicador mostra perda de fôlego. A maior influência negativa veio da avaliação sobre a economia brasileira no futuro próximo, que recuou 2,9%. Em contrapartida, houve alta nas expectativas para o comércio e para as próprias empresas, o que amenizou o resultado geral.
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) também apresentou retração, de 1,7%, chegando a 94,5 pontos. O recuo foi puxado principalmente pela queda de 4,2% no Nível de Investimento das Empresas, que passou a 92,8 pontos. A Situação dos Estoques também diminuiu, enquanto o indicador de contratação registrou leve alta, insuficiente para reverter a tendência de cautela.
De forma geral, o mês de abril reforça um ambiente de maior cuidado por parte do empresário. Os juros seguem elevados e dificultam o ritmo das vendas no estado, ao mesmo tempo em que a inflação de alimentos e combustíveis reduz a capacidade de consumo das famílias. Além disso, o nível já elevado de endividamento gera preocupação com uma possível alta da inadimplência. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a confiança não avança de maneira mais firme, mesmo com alguns sinais pontuais de melhora.