ICEC | FEVEREIRO 2026
CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO DE SALVADOR CAI 3% EM FEVEREIRO, APONTA FECOMÉRCIO BA
Desafios como juros altos e reforma tributária dificultam um olhar mais positivo par ao futuro próximo.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou nova queda, de 3% em relação a janeiro, retornando aos 104,3 pontos, após ter alcançado 107,5 pontos no mês anterior. Na comparação anual, entretanto, observa-se leve avanço de 0,7%.
O ICEC varia de 0 a 200 pontos. Resultados acima de 100 indicam confiança dos empresários do comércio da capital baiana, enquanto pontuações inferiores a esse patamar refletem pessimismo.
O principal destaque negativo do mês foi o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que recuou 4,3% e atingiu 134 pontos. O desempenho foi influenciado pela queda em todos os subíndices: avaliação da economia brasileira (-3,1%), expectativa para o comércio (-5,1%) e perspectiva para as próprias empresas (-4,6%). Embora o nível médio de confiança ainda permaneça em patamar elevado, aos 134 pontos, a percepção sobre o futuro próximo torna-se mais desafiadora. Esse movimento é coerente diante do cenário de juros elevados, das incertezas relacionadas à reforma tributária — especialmente para pequenos e médios empresários — e do ambiente político ainda indefinido.
No curto prazo, o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) também apresentou retração de 1,7%, atingindo 84,8 pontos. Em relação ao mesmo período do ano passado, contudo, houve crescimento de 5,3%. Ainda assim, o indicador permanece em faixa de pessimismo. Assim como no índice de expectativas, houve queda nos três componentes: economia (-0,7%), comércio (-0,9%) e empresas (-2,9%).
Diante de uma avaliação mais cautelosa do presente e do futuro, a tendência é de maior prudência nas decisões de contratação e investimento. O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) registrou, em fevereiro, recuo de 2,4%, voltando aos 95,5 pontos. O resultado foi puxado pela redução de 3,9% no nível de investimento e de 3,2% no indicador de contratação. Apenas o componente relacionado à situação dos estoques permaneceu praticamente estável no mês.
Cabe destacar que o ambiente do consumidor segue relativamente favorável, com melhora nas condições de renda e manutenção do emprego, o que tem sustentado o consumo no comércio e nos serviços. Ainda assim, esse cenário não tem sido suficiente para elevar a confiança do empresário na mesma proporção. Isso se explica pelos desafios enfrentados no dia a dia, como juros elevados, incertezas tributárias, dificuldades na contratação de mão de obra, além de problemas recorrentes como furtos, entre outros, e que minam a confiança.
Apesar da nova retração, o ICEC permanece acima dos 100 pontos, indicando que não se trata de um cenário negativo. Contudo, o nível atual ainda está distante de um ambiente de maior otimismo e tranquilidade para o empresário do comércio.

