ICEC | JANEIRO 2026
EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO REDUZ OTIMISMO NESTE INÍCIO DE ANO, APONTA FECOMÉRCIO BA
Terminado o período de festas, confiança cai − 1,8% em janeiro.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou leve queda de 1,8% em janeiro na comparação com dezembro, recuando para 107,5 pontos. O resultado também ficou abaixo do observado no mesmo período do ano passado, quando o índice marcou 109,4 pontos. Ainda assim, os empresários do comércio de Salvador iniciam o ano com confiança, já que o indicador permanece em patamar considerado otimista.
O ICEC varia de 0 a 200 pontos. Resultados acima de 100 indicam confiança dos empresários do comércio da capital baiana, enquanto pontuações inferiores a esse nível refletem pessimismo.
O principal fator a influenciar o desempenho do índice no mês, e já esperado do ponto de vista sazonal, foi o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), que recuou 4,6% em janeiro, passando de 102,6 pontos em dezembro para 97,8 pontos. Nesse grupo, destacaram-se as quedas de 7,6% no indicador de contratação de funcionários e de 3,7% no nível de investimento das empresas. Após o período mais importante do varejo, concentrado no último bimestre do ano, é natural a redução das intenções de contratação e investimento, caracterizando um ajuste de confiança sazonal, que não indica, a princípio, um movimento estrutural ou permanente.
Esse entendimento é reforçado pelo desempenho do Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC), que apresentou crescimento de 2% no mês. Houve destaque para a alta de 4,2% na avaliação geral da economia e de 2,1% nas condições do setor comerciário. Esses resultados refletem um ambiente de vendas mais favorável, conforme já apontado pelas projeções da Fecomércio BA.
Por outro lado, ao se observar o horizonte de médio e longo prazo, nota-se uma leve redução do otimismo. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) recuou 1,9%, passando de 142,7 pontos em dezembro para 140 pontos em janeiro. A maior retração ocorreu na avaliação da economia como um todo, com queda de 3,1%, enquanto as expectativas em relação ao varejo mostraram recuo mais moderado.
Após um período de consumo elevado, os empresários passam a lidar novamente com os desafios diários dos negócios, como juros ainda elevados e um ritmo mais lento da atividade econômica. Esse contexto contribui para um ajuste nas expectativas em relação ao futuro próximo.
Apesar disso, o quadro econômico local apresenta sinais de melhora, tendendo a sustentar o otimismo dos empresários ao longo do primeiro semestre. Embora o crédito permaneça caro, a desaceleração da inflação possibilita uma recomposição gradual do poder de compra das famílias. Com isso, observa-se um movimento de quitação de dívidas vencidas e um retorno mais cauteloso e sustentável ao consumo, o que deve favorecer o desempenho das vendas nos próximos meses.