ICEC | MARÇO 2026
OTIMISMO DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO AVANÇA 1,1% EM MARÇO, APONTA FECOMÉRCIO BA
Recuperação após duas quedas consecutivas vem pela avaliação futura da economia e do comércio.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), apurado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou crescimento de 1,1% em março, alcançando 105,4 pontos, frente aos 104,3 pontos do mês anterior. O indicador também está 4,1% acima do observado no mesmo período do ano passado, quando marcou 101,2 pontos.
O ICEC varia de 0 a 200 pontos. Resultados acima de 100 indicam confiança por parte dos empresários do comércio da capital baiana, enquanto níveis inferiores a esse patamar refletem pessimismo.
No mês, o avanço foi impulsionado principalmente pelo Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), que apresentou elevação de 2,1%, atingindo 136,8 pontos — nível 3,6% superior ao de março do ano passado. Observou-se aumento do otimismo nos três componentes analisados: economia brasileira no futuro próximo (+2,5%), setor do comércio (+2,1%) e expectativas em relação à própria empresa (+1,7%). Vale destacar que a coleta de dados ocorreu antes do início do conflito envolvendo o Irã, o que pode impactar negativamente a confiança nos próximos meses, diante de possíveis pressões inflacionárias e da manutenção dos juros em patamares altos.
Também houve crescimento no Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC), ainda que de forma mais moderada, com alta de 0,7%, alcançando 96,1 pontos — permanecendo, contudo, em nível considerado pessimista. No mês anterior, o indicador registrava 95,5 pontos e, em março de 2025, 94,9 pontos. Apesar do avanço, os resultados não foram homogêneos: o subindicador de contratação recuou 2,1%, enquanto os componentes de nível de investimento e de situação dos estoques avançaram 2,4% cada. De modo geral, a dificuldade em ampliar o quadro de funcionários, aliada ao ritmo ainda limitado das vendas no varejo, tem restringido as intenções de contratação no curto prazo. Por outro lado, as empresas seguem avaliando investimentos voltados à melhoria estética e operacional dos estabelecimentos.
Já o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) manteve-se estável em 83,3 pontos, embora apresente alta de 8,6% na comparação anual. Também nesse caso houve divergência entre os componentes: a avaliação da economia registrou queda de 2,2%, enquanto a percepção em relação à própria empresa avançou 1,3%.
Apesar do resultado positivo em março, ainda não se observa um movimento consistente de recuperação da confiança, mas sim uma trajetória de oscilações ao longo do último ano, refletindo a complexidade do cenário econômico brasileiro, marcado por juros elevados e alta carga tributária, entre outros fatores. Soma-se a isso o recente conflito envolvendo o Irã e a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional, o que tende a pressionar os preços internos.
Dessa forma, embora o indicador tenha apresentado avanço no mês, o cenário permanece desafiador e deve continuar pressionando a confiança dos empresários do comércio de Salvador. A tendência, no curto prazo, é de manutenção desse comportamento oscilante, sem espaço para altas consecutivas mais consistentes.