ICEC | OUTUBRO 2026
PELA PRIMEIRA VEZ NO ANO, CONFIANÇA DO COMÉRCIO DE SALVADOR ENTRA EM ZONA DE PESSIMISMO, APONTA FECOMÉRCIO BA
ICEC recua para 99,5 pontos em outubro. Condições atuais desabam para 69,3 pontos e contratações temporárias perdem fôlego às vésperas do Natal.
Aos 99,5 pontos em outubro, o ICEC apurado pela Fecomércio BA cruzou pela primeira vez no ano a barreira simbólica dos 100 pontos — limiar que separa otimismo de pessimismo entre os empresários do comércio de Salvador. A queda de 2,7% frente a setembro e de 5,3% na comparação anual consolida cinco meses consecutivos de recuo e encerra a sequência que começou em junho, quando o índice ainda rondava os 100 pontos. Com todos os subíndices pressionados e a reta final de 2026 se aproximando, o setor chega ao período mais importante do ano sob o peso de uma confiança em deterioração mais forte.
Diferentemente de meses anteriores, quando a queda se concentrava em componentes isolados, outubro distribui perdas por toda a estrutura do índice. Juros elevados, endividamento persistente das famílias e a concorrência crescente do comércio eletrônico continuam a comprimir a atividade presencial. Em Salvador, o empresário convive com custos operacionais que não cedem e um consumidor cada vez mais seletivo — combinação que transformou o pessimismo antes projetado em realidade cotidiana.
Entre os subíndices, o ICAEC sofre a maior pressão: despencou 6,4% no mês e 14,9% em doze meses, aterrissando em 69,3 pontos — o pior resultado do ano. A avaliação da economia brasileira (CAE) afundou para 50,7 pontos, recuo de 20,7% ante outubro de 2025, praticamente no piso da escala. As condições do comércio (70,6 pts, -12,8% anual) e a avaliação das próprias empresas (86,7 pts, -12,9% anual) completam um retrato em que os três componentes registram queda de dois dígitos na comparação anual — algo inédito neste ciclo.
Único subíndice ainda acima dos 100 pontos, o IEEC cedeu 1,0% em outubro e marca 132,0 pontos — queda de 0,5% na base anual. As expectativas para a economia (-0,4%, 118,1 pts), para o comércio (-1,1%, 133,0 pts) e para as empresas (-1,3%, 144,9 pts) recuaram em todos os componentes. Apesar de estar na área pessimista, o IEEC já acumula recuos consecutivos e não consegue reverter a trajetória de queda, sinalizando que o empresário não enxerga, no horizonte, gatilhos concretos de melhora enquanto os juros permanecerem elevados.
No campo dos investimentos, o IIEC recuou 2,1% e voltou para 97,1 pontos — 4,0% abaixo de outubro de 2025. A intenção de contratar funcionários caiu 3,4% (115,3 pts), movimento que chama atenção em pleno outubro, mês em que o comércio habitualmente reforça equipes temporárias para o Natal. O nível de investimento das empresas segue deprimido em 89,1 pontos (-12,6% anual), e a situação dos estoques permanece fraca (87,0 pts, -2,2%). A perda de fôlego nas contratações neste momento do ano compromete a capacidade do setor de aproveitar a demanda sazonal.
A entrada do ICEC na zona de pessimismo representa um patamar que não se via desde o início do ano e compromete as perspectivas para a temporada natalina. Condições atuais em queda livre, expectativas perdendo sustentação e investimentos retraídos compõem um cenário que exige atenção. Sem alívio nos juros e com o consumidor ainda pressionado pelo endividamento, a temporada de Natal tende a ficar aquém do potencial para o comércio de Salvador.