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ICF | AGOSTO 2025

ICF, Pesquisas
22 de agosto de 2025

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR DE SALVADOR INDICA QUE O PIOR PASSOU E SEGUE COM ESTABILIDADE EM AGOSTO, APONTA FECOMÉRCIO BA

Há quatro meses que o indicador permanece na casa dos 107 pontos.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, registrou em agosto 107,1 pontos, praticamente estável em relação aos 107,4 pontos do mês anterior, o que representa uma queda pouco expressiva de -0,3%. No comparativo anual, contudo, o índice está 1,6% acima do observado em agosto do ano passado (105,3 pontos).

O ICF varia de 0 a 200 pontos: quanto mais próximo de 200, maior o otimismo; quanto mais próximo de 0, maior o pessimismo.

O destaque negativo do mês foi a queda de 4,6% no item acesso ao crédito, que passou de 101 pontos em julho para 96,4 pontos em agosto, retornando à zona de pessimismo. Isso mostra que mais famílias avaliam negativamente as condições de obtenção de empréstimos para compras a prazo. Com os juros elevados e a inadimplência em alta, os bancos se tornam mais seletivos, reduzindo a oferta de crédito ao consumidor.

Outro recuo importante foi no item renda atual, com queda de -2,4%, chegando a 117,9 pontos em agosto. A Fecomércio BA tem registrado aumento da inadimplência desde o início do ano, somado à pressão inflacionária no mesmo período, o que compromete o equilíbrio das contas das famílias. Isso leva à percepção de deterioração da renda, apesar dos dados mais recentes da inflação na RMS apontarem uma melhora — o que pode indicar algum alívio no futuro próximo.

As famílias de Salvador também se mostraram menos seguras em relação ao emprego atual, que caiu -1,7% em agosto, chegando a 129,9 pontos. Apesar do recuo, o patamar ainda reflete alto grau de otimismo. O problema está na tendência de deterioração gradual, diante de notícias sobre o tarifaço americano e a desaceleração econômica, fatores que podem afetar o mercado de trabalho.

No horizonte futuro, contudo, houve leve melhora: o item perspectiva profissional avançou 0,4%, atingindo 131,6 pontos. Nesse quesito, 61,5% dos entrevistados acreditam em melhores oportunidades para o responsável pelo domicílio nos próximos seis meses.

Em relação ao consumo, houve expansão de 2,5% no item nível de consumo atual, que atingiu 94 pontos, e alta de 1,4% em perspectiva de consumo, que subiu para 113,3 pontos. Parte desse resultado pode refletir o aumento dos preços, e não necessariamente uma melhora efetiva da renda.

O item momento para duráveis avançou 5,1% em agosto, ao passar de 63,2 para 66,4 pontos. Apesar da alta, o nível de insatisfação permanece elevado, com maioria dos entrevistados avaliando ser um mau momento para a compra de bens como geladeira ou fogão. Além dos juros altos, comprometer a renda com crédito em um cenário de incerteza e aumento da inadimplência é considerado arriscado.

Na análise por faixa de renda, houve recuo em ambos os grupos: -0,2% entre famílias com até 10 salários mínimos e -0,8% entre aquelas com renda acima desse valor. Ainda assim, o patamar é distinto: maior otimismo entre os que recebem acima de 10 salários mínimos (137,1 pontos), contra 104,2 pontos entre os que ganham menos.

O ICF se mantém na casa dos 107 pontos desde maio. De fato, houve um ajuste de confiança desde o início do ano, em meio a um processo inflacionário mais intenso. O quadro atual de preços é mais favorável, o que ajuda a sustentar a estabilidade do índice. Porém, para que volte a crescer, será necessário que a inflação se mantenha baixa por um período prolongado, sem que haja deterioração do mercado de trabalho — um desafio diante do cenário de desaceleração econômica no país. Assim, a tendência é que o indicador oscile, nos próximos meses, em torno do nível atual.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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