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ICF | MARÇO 2026

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10 de abril de 2026

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA 3% EM MARÇO, APONTA FECOMÉRCIO BA

Inflação sazonal mina poder de compra das famílias.

 

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, apontou, mais uma vez, retração mensal ao passar de 110,7 pontos em fevereiro para 107,4 pontos em março, uma retração de 3%. No comparativo anual, houve recuo de 3,3%. O atual patamar retorna ao nível de novembro do ano passado, quando houve altas importantes impulsionadas pelas festas de compras de fim de ano.

O ICF varia de 0 a 200 pontos. Valores entre 0 e 100 indicam pessimismo, enquanto resultados entre 100 e 200 refletem otimismo, caracterizado por um maior número de respostas positivas sobre as condições econômicas das famílias.

A queda mais expressiva no mês foi registrada no item nível de consumo atual, com retração de 6,8%, retornando ao campo do pessimismo, aos 98 pontos. Esse resultado pode ser interpretado como consequência das despesas sazonais do início do ano, como IPTU e IPVA, além de reajustes em tarifas e serviços, como mensalidades escolares e transporte público. Com maior comprometimento da renda para quitar essas obrigações, diminui a capacidade de gasto em outros setores. Para os próximos meses, também houve redução de 2,6% no item perspectiva de consumo, que, em março, recuou para 113,5 pontos.

A avaliação sobre a renda atual apresentou retração de 3,1%, retornando aos 119,5 pontos. Além dos compromissos típicos do início do ano, começa a pesar também a elevação dos preços dos combustíveis, em decorrência da guerra no Irã, um item relevante no orçamento doméstico.

Em relação ao emprego, as famílias de Salvador estão cada vez menos otimistas. O indicador de emprego atual recuou 2%, atingindo 127,4 pontos, enquanto o item perspectiva profissional caiu 1,2%, chegando a 118,5 pontos. Este último apresenta a maior queda na comparação anual, de 10,3%. Trata-se de um ponto de atenção, pois, nos últimos anos, esses dois itens estiveram consistentemente acima dos demais, liderando a pontuação do ICF e refletindo elevada segurança no emprego e boas perspectivas de melhora. No início de 2026, esse quadro começa a se deteriorar, ainda que permaneça em patamar otimista. A perda de confiança nessa variável fundamental tende a se disseminar para outros componentes, como renda e consumo.

Esse cenário ajuda a explicar a queda de 4,9% no item momento para duráveis, indicando que as famílias consideram cada vez menos favorável a compra de bens de maior valor. Esse movimento também está associado à redução de 1,3% no item acesso ao crédito, refletindo maior dificuldade na obtenção de financiamento para compras a prazo.

A situação é mais delicada para as famílias de menor renda, justamente as que mais pressionam o índice para baixo. Em março, o indicador para o grupo que ganha até 10 salários mínimos caiu 3,4%, retornando aos 104,2 pontos. Já para as famílias com renda superior a esse patamar, o índice permaneceu estável, em 141,6 pontos.

O que parecia um cenário mais favorável, com emprego aquecido e inflação sob controle, começa a mudar de direção. Alguns custos têm avançado acima da inflação, e o aumento dos preços dos combustíveis na região tende a impactar o orçamento das famílias. Além disso, os juros elevados impõem um ritmo mais fraco à economia, o que dificulta avanços mais consistentes no mercado de trabalho, embora ainda em nível positivo. O momento exige cautela e acompanhamento atento, já que diversos fatores vêm pressionando o cotidiano das famílias — especialmente aquelas de menor renda, que dispõem de menos proteção financeira.

 

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