ICF | SETEMBRO 2025
Confiança do consumidor cai 2% em setembro, aponta Fecomércio BA
Em setembro, o ICF atingiu 105 pontos, o menor nível em pouco mais de 2 anos.
Após quatro meses de praticamente estabilidade, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, voltou a cair. Em setembro, o indicador atingiu 105 pontos, registrando retração de -2% em relação a agosto e de -3,1% no comparativo anual. O atual patamar é o mais baixo em pouco mais de dois anos, desde junho de 2023.
A queda foi puxada principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários-mínimos, que apresentaram recuo de -2,2% no mês. Já o grupo com renda superior a 10 SM teve leve alta de 0,4%. Os patamares atuais são de 101,9 pontos e 137,6 pontos, respectivamente.
O maior recuo do mês ocorreu no item Acesso ao Crédito, que caiu -3,1%, voltando ao nível de 93,4 pontos. Quase metade das famílias soteropolitanas (46,1%) declarou maior dificuldade para obter crédito nas compras a prazo. O cenário reflete o aumento da taxa de juros e da inadimplência, fatores que elevam o risco e tornam os bancos mais seletivos na concessão de financiamentos.
O crédito é fundamental para a aquisição de bens duráveis. Por isso, a restrição também impactou o item Momento para Duráveis, que recuou -2,3% e chegou a 64,9 pontos, a pior avaliação entre os componentes do ICF em setembro. Quase dois terços dos entrevistados consideram ser um mau momento para compras de eletrodomésticos e produtos semelhantes.
A desaceleração da economia e as tensões relacionadas a possíveis escalonamentos da crise comercial com os Estados Unidos também influenciaram o sentimento em relação ao emprego. O item Emprego Atual recuou -2,5%, voltando a 126,7 pontos, enquanto o item Perspectiva Profissional caiu -1,8%, chegando a 129,3 pontos. Embora as famílias ainda mantenham certo otimismo nesse aspecto, a tendência é de deterioração ao longo dos últimos meses.
Com maior cautela, as famílias também indicaram expectativa de consumo menor no curto e médio prazo. O item Nível de Consumo Atual apresentou retração de -1,3% (92,8 pontos), enquanto o item Perspectiva de Consumo caiu -0,7% (112,5 pontos).
Apesar da inflação em patamar mais baixo, isso ainda não se traduziu em otimismo, em parte devido ao aumento do número de famílias inadimplentes — fator que pressiona o orçamento doméstico e limita a recuperação mais robusta do consumo. O item Renda Atual recuou -2,1%, registrando 115,4 pontos.
Um ponto crucial para a retomada do indicador é a redução dos juros, que facilitaria tanto a quitação de dívidas quanto a expansão do consumo. Por enquanto, a inflação mais controlada e o mercado de trabalho aquecido vêm contribuindo para recompor gradualmente o poder de compra. No entanto, ainda há dívidas em atraso que precisam ser sanadas antes que se observe uma recuperação mais consistente do consumo.
De qualquer forma, o cenário de médio e longo prazo mostra-se mais favorável, sobretudo pelo espaço aberto para que o Banco Central reduza a taxa de juros de forma mais rápida do que inicialmente previsto. Assim, a queda de setembro funciona como um alerta pontual, mas os sinais indicam possibilidade de melhora até o fim do ano.

