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3 de junho de 2026

INADIMPLÊNCIA EM SALVADOR CAI PELO 5º MÊS SEGUIDO E ATINGE 22,6% DAS FAMÍLIAS, AVALIA FECOMÉRCIO BA.

Inflação de combustíveis e alimentos devem dificultar o acerto de conta nos próximos meses.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio BA, registra a quinta queda consecutiva na taxa de famílias inadimplentes na capital baiana, passando de 23,2% em março para 22,6% em abril, o menor nível desde março do ano passado. São 231 mil famílias com contas em atraso, uma redução de 25 mil desde o início do ciclo de queda.

Entre as faixas de renda, houve recuo em ambos os grupos: de 25,4% para 24,8% entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos e de 5,3% para 4,7% entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos.

O tempo médio de atraso permaneceu praticamente estável, em 65,6 dias, ante 65,7 dias em março, mas apresenta alta na comparação anual, quando era de 62,2 dias. Esse aumento pode ser explicado pelo nível mais elevado dos juros, que dificulta a regularização das dívidas pelas famílias.

Pelo lado do endividamento, observa-se a manutenção de um patamar elevado, com pouca variação. Em abril, 75,3% das famílias possuíam algum tipo de dívida em Salvador, ligeiramente abaixo dos 75,9% registrados em março, mantendo-se próximo ao observado desde outubro do ano passado. Atualmente, são 767 mil famílias endividadas.

O ponto positivo é que o endividamento segue elevado ao mesmo tempo em que há redução da inadimplência, o que é saudável para as famílias e para a economia local.

O tempo médio de comprometimento com dívidas permanece estável pelo sétimo mês consecutivo, em 6,4 meses. Quase 60% desse comprometimento concentra-se em prazos de até seis meses, caracterizando dívidas de curto prazo e indicando

maior uso de crédito para despesas recorrentes do domicílio, e não para aquisições de maior valor.

O percentual da renda comprometida com dívidas ficou praticamente estável, em 30,8% em abril, ante 30,9% em março, sinalizando que o nível de endividamento não tem pressionado significativamente o orçamento familiar, o que contribui para a redução da inadimplência.

O principal tipo de dívida continua sendo o cartão de crédito, presente em 93,3% dos endividados em Salvador. Em seguida aparecem o crédito consignado (7,1%) e o crédito pessoal (6,5%), ambos acima dos percentuais registrados em abril de 2025 (5% e 3,6%, respectivamente). A maior procura por essas modalidades pode ser considerada positiva, devido às condições mais favoráveis, embora indique um perfil de consumo mais imediatista, voltado a necessidades de curto prazo.

Por fim, o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso caiu para 9,5% em abril, frente a 9,7% no mês anterior, o que representa cerca de 96 mil famílias em situação mais delicada, ainda distante de um cenário mais crítico.

De forma geral, a PEIC aponta um cenário positivo, com redução consistente da inadimplência. Ainda assim, é importante acompanhar os próximos meses para avaliar os impactos do aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos sobre o orçamento doméstico.

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