PEIC | DEZEMBRO 2025
ENDIVIDAMENTO SE ESTABILIZA EM DEZEMBRO E INADIMPLÊNCIA RECUA, AVALIA FECOMÉRCIO BA.
Contas em atraso recuam após quatro altas consecutivas. 13º salário pode ter tido um papel essencial nessa queda.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio BA, apontou estabilidade na taxa de famílias endividadas na capital baiana, com 76,3% em dezembro, ante 76,2% no mês anterior. Ainda assim, o percentual permanece bem acima do patamar observado um ano antes, de 65,6%. Em números absolutos, são 719 mil famílias com algum tipo de dívida, cerca de 100 mil a mais em relação a dezembro de 2024.
A análise por faixa de renda mostra um comportamento distinto. Entre as famílias de renda mais baixa, com até 10 salários mínimos, o endividamento apresentou recuo praticamente marginal, de 78,9% para 78,7%. Já no grupo de renda mais elevada, o movimento foi oposto, com alta de 47,1% para 50,6%. Em ambos os casos, os percentuais permanecem acima dos registrados em dezembro de 2024.
Os cartões de crédito seguem como a principal modalidade de dívida, presentes em 92,6% das famílias endividadas, patamar muito próximo ao observado no mês anterior e no mesmo período do ano passado. O segundo tipo de dívida mais frequente é o crédito consignado, com 7,1%, acima dos 5,1% registrados no mesmo período de 2024. Esse avanço indica uma maior utilização de uma modalidade mais segura e com taxas de juros mais adequadas, por estar atrelada ao salário. Com o mercado de trabalho aquecido, o consignado se apresenta como uma alternativa mais favorável para as famílias. Na sequência, aparece o crédito pessoal, com 5,7%, percentual acima dos meses anteriores, mas que também não representa, em si, uma modalidade de difícil quitação.
O tempo médio de comprometimento das dívidas permaneceu estável, em 6,4 meses. A parcela da renda comprometida com o pagamento das dívidas apresentou leve aumento, de 29,9% para 30,3%, indicando a manutenção de um nível saudável de obtenção de crédito, sem pressão excessiva sobre o orçamento doméstico.
Cabe reforçar que o aumento do endividamento não é, necessariamente, um fator negativo. O crédito é fundamental para o consumo cotidiano e para aquisições de longo prazo. O problema surge quando esse aumento vem acompanhado de elevação nos atrasos de pagamento, ou seja, da inadimplência.
Em dezembro, após quatro altas consecutivas, houve redução no número de famílias com contas em atraso. A taxa recuou de 27,1% em novembro para 25,9%, embora ainda permaneça acima do nível observado em dezembro de 2024, de 22,6%. Em termos absolutos, são 244,5 mil lares soteropolitanos nessa condição, o que representa uma redução mensal de pouco mais de 10 mil famílias.
Assim como observado no endividamento, as famílias de menor renda foram as principais responsáveis pela queda da inadimplência, com recuo de 29,8% para 28,1% entre novembro e dezembro. Já entre as famílias de renda mais elevada, a taxa avançou de 5,9% para 8,2%.
Outro dado positivo é a redução do tempo médio de atraso, que passou de 67,6 dias em novembro para 66,8 dias em dezembro. Um menor período de atraso tende a resultar em juros menores e facilita a renegociação com instituições financeiras e o varejo.
Por fim, também houve queda na taxa de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso. Em dezembro, o percentual recuou de 11,6% para 10,9%, sinalizando maior equilíbrio financeiro.
Com base nesses resultados, a Fecomércio BA avalia que o pior cenário já ficou para trás. A inflação mais moderada, somada à injeção de recursos do 13º salário em novembro, contribuiu para a queda da inadimplência em dezembro. Esse movimento ocorreu em um momento especialmente relevante para o varejo, ampliando o potencial de consumo no período do Natal.