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PEIC | JULHO 2026

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28 de julho de 2026

INADIMPLÊNCIA EM SALVADOR SOBE PARA 24,1% EM JULHO E VOLTA AO PATAMAR DE UM ANO ATRÁS, AVALIA FECOMÉRCIO BA.

Endividamento se mantém estável em patamar elevado, enquanto alta da inadimplência reforça o impacto da inflação sobre o orçamento doméstico.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio BA, registra alta na inadimplência das famílias de Salvador em julho. O percentual de famílias com contas em atraso avançou de 22,5% em junho para 24,1% em julho — um salto de 1,6 ponto percentual. São 245 mil famílias inadimplentes na capital baiana, cerca de 16,4 mil a mais do que no mês anterior. Na comparação anual, o indicador voltou a um patamar próximo visto em julho de 2025, quando estava em 23,8%.

O endividamento permaneceu estável em 77,3%, com 787.268 famílias com algum tipo de dívida em Salvador, patamar historicamente elevado superado apenas pelos níveis registrados no início da série, em 2010. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o endividamento ficou em 79,8%, sustentando a leitura de que quase 8 em cada 10 lares soteropolitanos nessa faixa de renda carregam algum compromisso de crédito.

A composição das dívidas mantém o cartão de crédito como modalidade dominante, presente em 92,7% dos endividados. O crédito consignado (7,3%) e o crédito pessoal (6,6%) recuaram ligeiramente em relação a junho, mas seguem em patamares elevados para o histórico recente — ambos praticamente dobraram nos últimos doze meses, reflexo de famílias que continuam recorrendo ao crédito de curto e médio prazo para sustentar o consumo cotidiano em um ambiente de inflação pressionada. Em sentido oposto, o financiamento de casa avançou para 2,3%, ainda em nível reduzido frente ao histórico, dada a sensibilidade desse tipo de crédito ao patamar dos juros.

Pelo lado da inadimplência, a piora foi abrangente. O percentual de famílias com renda de até 10 salários mínimos com contas em atraso chegou a 26,1% em julho, ante 22,5% em junho. Entre as de renda superior a 10 salários mínimos, o indicador ficou em 7,7%, também acima dos 6,5% de junho. O percentual de famílias que declaram não ter condições de quitar suas dívidas em atraso subiu de 9,0% para 10,3%, representando 104.660 lares — cerca de 13 mil a mais do que no mês anterior. O tempo médio de atraso subiu para 65,5 dias e o percentual de famílias com dívidas há mais de 90 dias chegou a 45,2%, indicando que parte relevante da inadimplência já assumiu caráter mais crônico.

A PEIC de julho confirma que a resiliência das famílias soteropolitanas no pagamento de seus compromissos, observada nos meses anteriores mesmo sob pressão inflacionária, pode ter encontrado um limite. O cenário de inflação elevada segue sendo o principal vetor de pressão sobre o orçamento doméstico. Com a volta da guerra no Irã, a expectativa é que o preços continuem pressionados nesse 3º trimestre. Assim, é importante aguardar os novos dados para verificar se foi algo pontual ou se tornou uma tendência, dado o cenário ainda desafiador na região.

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