FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

Central do conhecimento

PEIC | NOVEMBRO 2025

PEIC, Pesquisas
5 de dezembro de 2025

76,2% DE FAMÍLIAS ENDIVIDADAS EM SALVADOR NO MÊS DE NOVEMBRO, MAIOR NÍVEL EM MAIS DE 15 ANOS, AVALIA FECOMÉRCIO BA

Aumento das contas em atraso liga alerta nesta reta final do ano.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio BA, registra mais uma elevação do endividamento em Salvador, a oitava seguida. Em novembro, 76,2% das famílias possuíam algum tipo de dívida, ante 74,6% em outubro e 65,5% no mesmo período de 2024. Isso representa 718,1 mil famílias endividadas na capital, aumento de pouco mais de 100 mil em um ano e desde o início do ciclo de altas, iniciado em março. O dado atual é o mais elevado em mais de 15 anos, desde o início da série histórica.

A elevação do endividamento atingiu as duas faixas de renda analisadas pela pesquisa. Entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice passou de 77,3% para 78,9%. Já na faixa acima de 10 salários mínimos, houve aumento de 45,9% para 47,1%. Ambos os resultados superam os observados um ano antes, de 68,5% e 34,1%, respectivamente.

O perfil do endividamento se manteve semelhante ao do mês anterior, com mais pessoas acessando crédito, mas sem mudanças significativas na composição. Contudo, na comparação com novembro de 2025, observa-se maior participação do crédito consignado, que passou de 4,6% para 7,2%. Essa modalidade, por ter condições mais favoráveis e estar ligada ao rendimento mensal, não costuma gerar grande preocupação. Já o cartão de crédito permanece predominante, estável há meses em torno de 93%.

Sem grandes mudanças no comportamento do crédito, o tempo médio de comprometimento com dívidas também se manteve estável em 6,4 meses, mesmo patamar de outubro e ligeiramente acima do de um ano antes, de 6,2 meses. A maioria das dívidas (58%) concentra-se no curto e médio prazos, de até seis meses.

A parcela da renda comprometida com dívidas apresentou leve queda, de 30,2% para 29,9%, praticamente igual ao índice de novembro de 2024, de 29,7%. Assim,

não há forte pressão sobre o orçamento doméstico. O crédito continua se expandindo em proporção saudável à renda das famílias, sem necessidade maior de complementação, considerando que o emprego segue aquecido e com ganho real.

O ponto de atenção do mês é a inadimplência, que cresceu pelo quarto mês consecutivo e atingiu 27,1% das famílias de Salvador em novembro. Isso equivale a 255,3 mil famílias com contas em atraso, maior patamar desde setembro de 2023. O aumento ocorreu nas duas faixas de renda: de 29,2% para 29,8% entre os que ganham até 10 salários-mínimos e de 5,3% para 5,9% entre aqueles com renda superior.

O tempo médio de atraso das dívidas caiu de 68,5 para 67,6 dias, após seis meses de alta. Isso indica que os atrasos recentes são mais novos e, em geral, mais fáceis de serem regularizados. O avanço do endividamento trouxe um grupo adicional para a inadimplência, reduzindo a média do atraso.

A proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar dívidas atrasadas permaneceu praticamente estável, em 11,6%, ante 11,7% no mês anterior. Porém, em relação ao mesmo período de 2024, houve forte aumento: o índice havia sido de 7,8%. Hoje, são 109 mil famílias nessa situação, 27 mil a mais em um ano.

Chama atenção que, mesmo com inflação moderada e níveis historicamente altos de emprego, a inadimplência esteja crescendo. É importante lembrar que o aumento do endividamento não é necessariamente negativo, desde que não seja acompanhado pelo avanço das contas em atraso.

A combinação de juros elevados, encarecendo produtos e dificultando o pagamento das parcelas, pode ajudar a explicar o cenário atual. O alerta é relevante nesta reta final de ano, período importante para o comércio e os serviços, impulsionado pela Black Friday e pelo Natal. Com a chegada do 13º salário, uma parcela crescente dos recursos deve ser destinada ao pagamento de dívidas atrasadas, o que pode reduzir o potencial de crescimento das vendas. Ainda assim, é fundamental utilizar o 13º para reorganizar as finanças e retomar o consumo de

forma mais equilibrada. É importante esperar os próximos dados para entender se este é o momento mais delicado ou se há espaço para haver uma piora. Pelos indicadores econômicos de inflação e emprego, a tendência seria de ter chegado ao topo para começar um processo de melhora no curto prazo

PEIC | NOVEMBRO 2025
Baixar arquivo