FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO ESTADO DA BAHIA

Notícias

Queda dos combustíveis segura inflação na RMS em 0,51% em maio, avalia Fecomércio BA

Economia, Sistema Comércio
17 de junho de 2026
Queda dos combustíveis segura inflação na RMS em 0,51% em maio, avalia Fecomércio BA

Preços dos legumes em forte alta e energia elétrica mais cara limitaram o efeito positivo do grupo Transportes

A inflação na Região Metropolitana de Salvador (RMS), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, registrou alta de 0,51% em maio, provocando uma desaceleração em relação ao resultado de 0,64% observado em abril. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice alcançou 4,67%.
“A inflação segue concentrada em itens essenciais, como alimentação e energia elétrica, que possuem forte impacto no orçamento das famílias. Embora a desaceleração observada em maio represente um alívio pontual, é fundamental manter a cautela, uma vez que o nível geral de preços ainda permanece elevado e continua pressionando o poder de compra da população”, avalia o presidente do Sistema Comércio BA — Fecomércio, Sesc e Senac—, Kelsor Fernandes.

Segundo avaliação da Fecomércio BA, o resultado de maio foi influenciado principalmente pela deflação do grupo Transportes, que recuou 1,81% e contribuiu com -0,34 ponto percentual para o índice geral, representando o maior alívio isolado do mês. A queda foi impulsionada pelos recuos nos preços do etanol (-9,64%), da gasolina (-3,45%) e do óleo diesel (-3,79%), refletindo a redução das cotações do petróleo no mercado internacional. Além disso, a Bahia apresenta uma dinâmica de preços distinta da observada no restante do país, com maior volatilidade nas variações dos combustíveis em função das oscilações do petróleo.
Também contribuíram para o desempenho favorável do grupo as quedas no aluguel de veículos (-13,53%) e nas tarifas de transporte por aplicativo (-2,31%). Após meses de forte pressão, o alívio nos combustíveis representa uma notícia positiva para o consumidor soteropolitano, embora seus efeitos sobre o custo de vida de forma mais ampla ainda demandem algum tempo para se refletir plenamente.

Em sentido oposto, o grupo Alimentação & Bebidas foi o principal responsável pela pressão inflacionária em maio, registrando alta de 1,69% e impacto de 0,38 ponto percentual sobre o IPCA da RMS. O destaque negativo ficou por conta dos tubérculos, raízes e legumes, que apresentaram variação de 21,97% no período. A batata-inglesa disparou 42,85%, o preço do tomate subiu 22,48%, o valor da cebola avançou 17,77% e o preço da cenoura registrou alta de 15,79%.
Trata-se de um movimento sazonal esperado para esta época do ano, com tendência de normalização ao longo do inverno. Outros itens relevantes para o orçamento das famílias também apresentaram aumentos expressivos: o feijão-carioca avançou 7,28%, o leite longa vida subiu 7,25% e as carnes continuaram em trajetória de alta, com destaque para a costela (3,84%) e para a carne-seca e de sol (3,59%).

Por outro lado, alguns produtos contribuíram para amenizar a pressão inflacionária dentro do grupo. Os ovos de galinha recuaram 2,39%, o frango em pedaços caiu 1,98%, o óleo de soja cedeu 2,92%, o açúcar refinado ficou 2,86% mais barato e o café moído registrou queda de 2,65%. O grupo Habitação apresentou a segunda maior contribuição para o IPCA de maio, com alta de 1,97% e impacto de 0,27 ponto percentual. O principal responsável pelo resultado foi a energia elétrica residencial, que registrou aumento de 6,73%, custo sentido diretamente pelas famílias na conta de luz. Já o gás de botijão, que havia exercido forte pressão sobre o índice em abril, quando subiu 4,77%, apresentou comportamento bem mais moderado em maio, com alta de apenas 0,12%.

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais avançou 1,11%, contribuindo com 0,17 ponto percentual para a inflação do mês. Entre os itens de higiene pessoal, o perfume registrou alta de 6,30% e os artigos de maquiagem aumentaram 3,87%. No segmento de Medicamentos, houve um movimento mais favorável: os anti-infecciosos e antibióticos recuaram 1,93%, interrompendo uma sequência recente de aumentos. Os anti-inflamatórios, contudo, continuaram em alta, com avanço de 1,00%.
Os demais grupos registraram variações mais moderadas. Vestuário avançou 0,40%, Educação subiu 0,09%, Despesas Pessoais registraram alta de 0,05% e Comunicação variou 0,04%. Já o grupo Artigos de Residência apresentou deflação de 0,40%, influenciada principalmente pela redução dos preços de eletrodomésticos e mobiliário.

Para o consultor econômico do Sistema Comércio BA, Guilherme Dietze, a desaceleração observada em maio representa um sinal positivo, especialmente diante da queda dos combustíveis, cujos efeitos indiretos sobre a cadeia produtiva e os custos logísticos tendem a ganhar força nos próximos meses. “Caso o petróleo permaneça em patamares mais baixos e o cenário geopolítico internacional continue favorável, o grupo Transportes poderá apresentar novo desempenho positivo em junho”, sinaliza o economista, Guilherme Dietze.

Da mesma forma, a tendência é de arrefecimento dos preços de legumes, raízes e tubérculos ao longo do inverno. Em contrapartida, os custos da energia elétrica permanecem como um importante fator de pressão inflacionária e exigem acompanhamento atento.
A entidade reforça a necessidade de cautela por parte de consumidores e empresários. Embora a inflação tenha perdido força em maio, o acumulado de 4,67% nos últimos 12 meses, concentrado justamente nos grupos de maior peso no orçamento das famílias, continua comprimindo o poder de compra da população. Esse cenário pode contribuir para o aumento da inadimplência e gerar reflexos negativos sobre o Comércio e o setor de Serviços nos próximos meses.