VAREJO BAIANO | INFLAÇÃO – AGO 2026
INFLAÇÃO NA RMS RECUA 0,59% EM AGOSTO E MARCA A MAIOR DEFLAÇÃO PARA O MÊS DESDE 2020, AVALIA FECOMÉRCIO BA
Segunda deflação mensal consecutiva foi liderada pela queda nos combustíveis e na energia elétrica, mas fatores pontuais limitam o alcance do alívio para a economia.
A inflação na Região Metropolitana de Salvador (RMS), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, registrou deflação de 0,59% em agosto — a maior variação negativa do ano e o segundo mês consecutivo de recuo, após a queda de 0,32% em julho. No acumulado em 12 meses, o índice caiu para 3,64%, ante 4,17% no mês anterior. Dos nove grupos que compõem o índice, cinco apresentaram deflação no mês.
O grupo Transportes exerceu a maior pressão deflacionária, com queda de 1,75% e impacto de -0,32 ponto percentual sobre o índice geral. O recuo foi concentrado nos combustíveis — gasolina (-4,36%) e etanol (-8,06%) — e, com força ainda maior, nos serviços ligados ao fim da alta temporada do turismo: a passagem aérea caiu 15,16% e o aluguel de veículos recuou 8,24%, reflexo direto da reversão sazonal após o período de férias. O transporte por aplicativo (-3,91%) e o ônibus intermunicipal (-0,33%) também contribuíram para o alívio. Ainda assim, o cenário externo inspira cautela: com o petróleo voltando a superar os 100 dólares o barril, novas pressões sobre combustíveis e sobre a cadeia logística podem surgir nos próximos meses.
O grupo Habitação registrou a segunda maior contribuição negativa, com deflação de 2,19% e impacto de -0,31 ponto percentual. A queda foi comandada pela energia elétrica residencial, que recuou 8,05% no mês por conta do bônus de Itaipu — um crédito pontual na conta de luz que não se repetirá nos meses seguintes. Trata-se de um efeito temporário: a tendência é de reversão, com uma alta mais forte adiante (o chamado “efeito mola”), o que deve inverter a trajetória recente do grupo. O gás de botijão (-1,90%) também contribuiu para o resultado, enquanto a taxa de água e esgoto (2,21%) e o condomínio (0,45%) exerceram pressão modesta em sentido contrário.
O grupo Alimentação e bebidas manteve a trajetória de alívio, com deflação de 0,44% e impacto de -0,10 ponto percentual. Diferentemente dos demais recuos, este movimento tem caráter mais estrutural do que pontual: o grupo, de maior peso no orçamento das famílias (22,67%), vem apresentando variações cada vez mais brandas mês a mês, com queda média dos preços. Os tubérculos, raízes e legumes voltaram a liderar o recuo, com a batata-inglesa caindo 27,48%, o tomate 22,44%, a batata-doce 18,67%, a cebola 15,99% e a cenoura 13,93%. O café moído registrou queda expressiva (-4,59%), assim como o feijão carioca (-5,09%). Na contramão, o maracujá disparou 23,27%, o leite longa vida subiu 9,64% e a banana-da-terra avançou 5,91%.
Entre os demais recuos, o grupo Artigos de residência caiu 0,10% e o grupo Comunicação cedeu 0,14%, com variações modestas e pouco impacto sobre o resultado geral.
Do lado das altas, o grupo Vestuário liderou com variação de 0,84%, puxado pelas coleções de primavera. O grupo Educação subiu 0,37%, com destaque para o ensino superior (1,56%). O grupo Despesas pessoais avançou 0,35%, com o cigarro (12,53%) e o pacote turístico (2,33%) entre os principais componentes. O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,34%, desacelerando em relação aos meses anteriores — ainda assim, no acumulado em 12 meses, mantém a segunda maior variação (6,16%), atrás apenas da Educação (6,29%).
Para a Fecomércio BA, a deflação de agosto traz um cenário de preços mais favorável do que o observado no início do ano e contribui para a recomposição da renda das famílias. No entanto, é preciso ponderar que parte significativa do resultado decorre de fatores pontuais — como o bônus de Itaipu na energia elétrica e a reversão sazonal nos serviços de turismo —, e não de uma mudança estrutural na dinâmica de preços. A exceção positiva fica por conta dos alimentos e bebidas, cujo arrefecimento vem se consolidando ao longo dos meses e representa um alívio mais duradouro justamente no item de maior peso no orçamento familiar. Por outro lado, a retomada do petróleo acima dos 100 dólares adiciona um fator de risco nos próximos meses. E os juros elevados seguem corroendo parte da renda, encarecendo o crédito e dificultando a recuperação do consumo — o que limita o efeito prático dessa deflação sobre o dia a dia da economia.