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VAREJO BAIANO | COMÉRCIO – JUL 2026

Área do Conhecimento, Pesquisas, Varejo Baiano
18 de setembro de 2026

VAREJO BAIANO CRESCE 3,4% EM JULHO E INFLAÇÃO MAIS AMENA ABRE PERSPECTIVAS MAIS FAVORÁVEIS PARA O COMÉRCIO, APONTA FECOMÉRCIO BA

Supermercados e combustíveis seguem como principais motores; Crédito caro mantém setores de duráveis em dificuldade.

O comércio varejista da Bahia faturou R$ 20,9 bilhões em julho de 2026, avanço de 3,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo levantamento da Fecomércio BA elaborado com base em dados do IBGE. Em termos reais, o setor movimentou cerca de R$ 679 milhões a mais do que em julho de 2025. Trata-se do maior faturamento para um mês de julho desde 2015, refletindo, em parte, a sazonalidade típica do período, marcado pelas festas julinas que aquecem o comércio no interior do estado, além de uma base de comparação favorável em segmentos relevantes.

Os supermercados foram, novamente, o principal motor do resultado, com crescimento de 4,8% e faturamento de R$ 7,6 bilhões — acréscimo de aproximadamente R$ 352 milhões ao comércio estadual. O segmento se beneficiou diretamente do período festivo, que amplia o consumo de alimentos e bebidas, e segue favorecido pela prioridade que as famílias dão aos gastos essenciais em um ambiente de crédito restritivo. A inflação mais branda observada na Região Metropolitana de Salvador nos últimos meses também contribui para esse movimento, ao promover uma recuperação gradual do poder de compra das famílias, beneficiando sobretudo os segmentos de consumo recorrente.

O grupo de outras atividades manteve a trajetória de forte expansão, com alta de 11,4% e contribuição de R$ 420 milhões. Conforme a Fecomércio BA vem apontando, esse desempenho continua fortemente influenciado pelo comércio de combustíveis, componente de peso relevante no grupo. Os preços da gasolina e do diesel acumulam alta expressiva desde março, quando houve reajustes, e a comparação anual se dá sobre uma base particularmente fraca em julho de 2025. A combinação de preços mais elevados com base reduzida segue inflando o resultado do grupo, sem que isso represente, necessariamente, um aumento no volume de vendas. Excluindo-se o grupo de outras atividades da conta, o varejo baiano teria crescido 1,5% em julho — ritmo compatível com o padrão moderado que vem sendo observado ao longo de todo o ano.

Entre os demais segmentos, os materiais de construção registraram alta de 6,6%, com acréscimo de R$ 98 milhões, revertendo meses de desempenho mais frágil. As farmácias e perfumarias ficaram próximas da estabilidade (+0,4%), desacelerando em relação aos meses anteriores. Na contramão, os segmentos mais dependentes de crédito seguiram em queda. As lojas de eletrodomésticos e eletrônicos tiveram a maior retração do mês (−8,0%, perda de R$ 59 milhões), seguidas por móveis e decoração (−3,8%), vestuário, tecidos e calçados (−2,8%) e veículos, motos, partes e peças (−2,4%, perda de R$ 107 milhões) — este último, o segmento de maior peso no faturamento total, ainda pressionado pelo custo elevado do financiamento.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o varejo baiano cresce 2,7%, com faturamento de R$ 140,6 bilhões e ganho real de aproximadamente R$ 3,7 bilhões. O avanço é sustentado pelo grupo de outras atividades (+R$ 2,3 bilhões), pelos supermercados (+R$ 1,97 bilhão) e pelas farmácias e perfumarias (+R$ 528 milhões). Na outra ponta, as maiores perdas estão no setor de vestuário, tecidos e calçados (−R$ 528 milhões, queda de 11,1%), veículos, motos e peças (−R$ 470 milhões) e eletrodomésticos e eletrônicos (−R$ 240 milhões).

A Fecomércio BA avalia que a inflação mais amena na região traz perspectivas relativamente melhores para o varejo, ao aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e favorecer o consumo dos segmentos básicos. No entanto, esse avanço não deve obscurecer o fato de que boa parte do resultado recente é impulsionada pelo efeito dos preços dos combustíveis no grupo de outras atividades, e que o crédito caro continua limitando a recuperação dos setores de maior valor agregado. Para que a retomada se torne mais ampla e sustentável, a Entidade reitera a necessidade de redução da taxa Selic, de modo a abrir espaço para condições de financiamento menos restritivas e estimular o consumo além dos itens essenciais.

VAREJO BAIANO | COMÉRCIO - JUL 2026
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