ICF | SETEMBRO 2026
ESTABILIDADE MARCA O ICF DE SETEMBRO EM SALVADOR, APONTA FECOMÉRCIO BA
Índice oscila ao redor dos 108 pontos desde março e não consegue avançar, apesar de inflação regional mais baixa.
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Salvador registrou 108,2 pontos em setembro de 2026, estabilidade em relação ao mês anterior (108,2 pontos). O resultado reforça um padrão que vem se consolidando desde março: o indicador oscila ao redor dos 108 pontos sem conseguir avançar de forma consistente, mesmo diante de um cenário de inflação regional menos pressionada. Na comparação anual, o índice acumula alta de 3,1%, ante os 105,0 pontos registrados em setembro de 2025, mostrando que, embora distante dos níveis pré-pandemia, houve uma recuperação moderada ao longo dos últimos doze meses.
A estabilidade do índice geral, no entanto, esconde dinâmicas bastante distintas entre as faixas de renda. As famílias com rendimento acima de 10 salários mínimos sentiram mais no mês, com queda de -1,5%, passando de 144,4 para 142,2 pontos. Trata-se do segundo mês consecutivo de recuo para essa faixa, que já havia caído -2,1% em agosto. Já entre as famílias com renda até 10 salários mínimos, houve ligeiro aumento de 0,2% — uma estabilidade técnica —, subindo de 104,8 para 105,0 pontos. A diferença de comportamento entre as faixas sugere que o recuo entre os mais ricos pode refletir maior sensibilidade às incertezas do cenário macroeconômico e à volatilidade dos mercados financeiros, enquanto os mais pobres seguem em patamar ainda próximo da zona de neutralidade.
Entre os subíndices, a Renda Atual foi o destaque positivo do mês, avançando 1,4% e alcançando 122,0 pontos, o que indica uma percepção mais favorável das famílias sobre sua situação financeira corrente. O Nível de Consumo Atual também apresentou melhora, com alta de 0,7%, chegando a 102,0 pontos e mantendo-se no campo otimista. Na outra ponta, a Perspectiva de Consumo teve a maior queda do mês (-1,2%), recuando de 117,2 para 115,8 pontos, sinalizando que as famílias estão mais cautelosas em relação ao consumo nos próximos meses, possivelmente antecipando um final de ano com menor dinamismo econômico.
O Emprego Atual permanece como o subíndice com maior pontuação absoluta (131,1 pontos), em estabilidade técnica com variação de -0,3%, refletindo a percepção ainda positiva sobre o mercado de trabalho atual. Já a Perspectiva Profissional segue pressionada, registrando 115,5 pontos, com tímida variação de 0,3%. Na comparação anual, este indicador acumula a maior retração entre todos os componentes, com queda de -10,7%, evidenciando uma visão menos otimista sobre as oportunidades de emprego e renda futuros. A divergência entre a avaliação do presente e a expectativa futura sugere que as famílias reconhecem a segurança do mercado de trabalho atual, mas temem sua deterioração nos próximos meses.
O Acesso ao Crédito registrou recuo de -0,7%, chegando a 104,4 pontos, mas ainda acumula expressiva alta de 11,8% na comparação anual — a maior entre todos os subíndices —, refletindo a melhora gradual percebida pelas famílias no acesso a financiamentos e empréstimos ao longo do último ano. O Momento para Duráveis segue como o indicador mais pessimista da pesquisa, com 66,7 pontos e queda de -0,6% no mês, refletindo a cautela persistente das famílias diante do patamar elevado de juros e do comprometimento da renda com obrigações financeiras.
O cenário geral aponta para uma confiança do consumidor que encontrou um teto no curto prazo. Embora a inflação mais baixa na região ofereça algum alívio, os efeitos dos juros elevados, a desaceleração das oportunidades de emprego e a incerteza quanto à atividade econômica nos próximos meses impedem avanços mais significativos no indicador. A estabilização ao redor dos 108 pontos desde março sugere que, sem novos estímulos ou mudanças relevantes no ambiente econômico, o ICF deve seguir oscilando neste patamar nos próximos meses.