VAREJO BAIANO | INFLAÇÃO – SET 2026
INFLAÇÃO NA RMS VOLTA A SUBIR E AVANÇA 0,74% EM SETEMBRO, PUXADA PELO EFEITO MOLA DA ENERGIA ELÉTRICA, AVALIA FECOMÉRCIO BA
Energia elétrica, passagens aéreas e alimentos puxaram o índice; no acumulado em 12 meses, IPCA volta a superar os 4%.
A inflação na Região Metropolitana de Salvador (RMS), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, avançou 0,74% em setembro — revertendo dois meses consecutivos de deflação e registrando a maior variação mensal desde abril (1,47%). No acumulado em 12 meses, o índice voltou a superar a marca de 4%, alcançando 4,23%, ante 3,64% no mês anterior. Dos nove grupos que compõem o índice, sete apresentaram alta no mês.
O grupo Habitação foi o principal responsável pelo resultado, com a maior variação do mês: alta de 2,50% e impacto de 0,35 ponto percentual sobre o índice geral. O movimento era esperado e foi antecipado na análise de agosto: a energia elétrica residencial disparou 9,06%, em função do chamado “efeito mola” — a reversão do bônus de Itaipu, crédito pontual que havia derrubado a tarifa em 8,05% no mês anterior. Trata-se de um efeito temporário, mas que, por seu peso no orçamento, dominou a composição da inflação de setembro. Descontando-se o grupo Habitação, a alta do índice geral teria sido de 0,39%. O gás de botijão (-1,11%) seguiu em queda, mas não foi suficiente para contrabalançar a pressão da energia. O aluguel residencial subiu 0,95% e o condomínio avançou 0,23%.
O grupo Transportes exerceu a segunda maior pressão, com alta de 0,88% e impacto de 0,16 ponto percentual. O destaque ficou com a passagem aérea, que disparou 18,29%, reflexo direto do encarecimento do querosene de aviação, cujo preço acompanha a escalada do petróleo no mercado internacional. O aluguel de veículos (6,79%) e o ônibus interestadual (1,58%) também exerceram pressão, assim como o transporte por aplicativo (1,08%). Nos combustíveis, o comportamento foi misto: o etanol subiu 3,17% e o óleo diesel avançou 4,99%, enquanto a gasolina registrou leve queda de 0,37% — um alívio pontual que contrasta com o cenário de petróleo acima dos 100 dólares e pode não se sustentar.
O grupo Alimentação e bebidas voltou a subir após dois meses consecutivos de deflação, com alta de 0,48% e impacto de 0,11 ponto percentual. O principal vilão foi o tomate, que disparou 44,98% e puxou o subgrupo de tubérculos, raízes e legumes para cima (12,14%) — uma reversão brusca após as fortes quedas dos meses anteriores. A batata-inglesa (17,98%), a cebola (4,00%) e o maracujá (9,77%) também pressionaram. O arroz subiu 5,18% e as carnes avançaram 0,70%, com destaque para o contrafilé (2,29%). Na contramão, contribuíram para segurar o resultado a laranja-pera (-8,84%), a manga (-10,42%), a batata-doce (-11,65%), o repolho (-14,23%), o feijão carioca (-7,96%) e a cenoura (-6,89%). O leite longa vida, que havia subido forte em agosto (9,64%), devolveu parte da alta e recuou 1,99%.
Entre os demais grupos em alta, o Artigos de residência subiu 1,12%, puxado por eletrodomésticos (1,66%) e consertos (1,65%). O Vestuário avançou 0,91%, com destaque para a roupa feminina (2,13%). O grupo Despesas pessoais subiu 0,29%, com pacote turístico (2,99%) e cigarro (0,34%). O grupo Comunicação avançou 0,42%, impulsionado pela TV por assinatura (3,23%) e pelos serviços de streaming (1,20%).
Do lado das quedas, o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou leve deflação de 0,06%, puxada pela higiene pessoal (-0,82%), com recuos em perfume (-2,32%), produto para pele (-2,12%) e fralda descartável (-1,22%). Os produtos farmacêuticos, contudo, seguiram pressionando (0,24%), com anti-infeccioso e antibiótico (2,01%) e anti-inflamatório (1,45%). No acumulado em 12 meses, o grupo mantém variação elevada de 6,11%. O grupo Educação também registrou leve recuo (-0,04%).
Para a Fecomércio BA, o resultado de setembro confirma a leitura feita no mês anterior: boa parte do alívio observado em agosto era pontual, e o efeito mola da energia elétrica se materializou com força, respondendo sozinho por quase metade da inflação do mês. O retorno da alta nos alimentos, liderado pelo tomate, interrompe uma sequência positiva, embora os preços desse grupo ainda estejam em patamar mais favorável do que no início do ano. A pressão das passagens aéreas, alimentada pelo encarecimento do querosene de aviação diante do petróleo acima dos 100 dólares, reforça o alerta sobre os custos de transporte nos próximos meses. Com o acumulado em 12 meses de volta a um patamar superior a 4%, e os juros elevados seguindo como fator de corrosão da renda e de encarecimento do crédito, o cenário exige cautela: a inflação pode ter recuado pontualmente, mas os fundamentos que pressionam o custo de vida das famílias permanecem.