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ICF | AGOSTO 2026

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2 de setembro de 2026

ARREFECIMENTO ECONÔMICO PRESSIONA CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS DE SALVADOR EM AGOSTO, APONTA FECOMÉRCIO BA

Queda das perspectivas profissional e de renda sinaliza que o ritmo mais lento da economia já começa a chegar na confiança das famílias.

 

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, recuou 0,9% em agosto, passando de 109,2 pontos em julho para 108,2 pontos. O resultado devolve parte do avanço registrado no mês anterior, embora o índice ainda acumule alta de 1,1% na comparação anual. O ICF varia de 0 a 200 pontos — abaixo de 100 indica pessimismo e acima de 100, otimismo. O recuo de agosto reflete um movimento que já começa a se manifestar com mais clareza: embora a inflação tenha arrefecido na região, a desaceleração econômica começa a comprimir as perspectivas de emprego e de renda das famílias de Salvador.

No campo dos indicadores que recuaram, o destaque negativo foi a Perspectiva Profissional, que caiu 3,0%, chegando a 115,2 pontos — acumulando queda de 12,5% em 12 meses, a maior deterioração anual entre todos os componentes. Esse movimento confirma o que já vinha sendo sinalizado nos meses anteriores: com o ritmo da economia arrefecendo, as oportunidades de crescimento profissional e de melhora salarial percebidas pelas famílias estão diminuindo. A Renda Atual também cedeu 1,8%, para 120,3 pontos, reforçando a percepção de aperto no orçamento doméstico. O Momento para Duráveis recuou 3,1%, para 67,1 pontos, e o Acesso ao Crédito cedeu 1,1%, para 105,1 pontos — ambos interrompendo trajetórias de alta que vinham se sustentando nos meses anteriores.

Entre os componentes que avançaram ou se mantiveram resilientes, o Emprego Atual subiu 0,7%, para 131,5 pontos — o maior nível do componente no ano —, indicando que, por ora, as famílias ainda percebem o mercado de trabalho como relativamente sólido. O Nível de Consumo Atual avançou marginalmente 0,4%, para 101,3 pontos, sustentando-se acima da linha de 100 pelo segundo mês consecutivo. A Perspectiva de Consumo subiu 0,6%, para 117,2 pontos, sinalizando que, apesar das pressões, as famílias ainda mantêm algum otimismo em relação ao consumo futuro.

Na análise por faixa de renda, o recuo foi generalizado, mas mais intenso entre as famílias com renda superior a 10 SM, que caíram 2,1%, para 144,4 pontos — interrompendo dois meses consecutivos de alta. As famílias com renda até 10 salários mínimos recuaram 0,8%, para 104,8 pontos, mantendo-se em campo otimista, mas com margem cada vez mais estreita em relação à linha de 100 pontos. A distância entre os dois grupos reduziu-se para cerca de 39,5 pontos, o menor nível nos últimos meses.

O cenário de agosto reforça a leitura de que o arrefecimento econômico começa a se fazer sentir na confiança das famílias de Salvador. A inflação menos pressionada trouxe algum alívio nos meses anteriores, mas a desaceleração do ritmo de crescimento já compromete as perspectivas de emprego e de renda. Enquanto o mercado de trabalho se mantiver aquecido, o ICF deve oscilar em patamar de otimismo moderado. Porém, se as oportunidades de emprego e de ganho salarial continuarem recuando na percepção das famílias, a tendência de queda pode se consolidar nos próximos meses.

 

 

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