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ICF | JULHO 2026

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28 de julho de 2026

INFLAÇÃO MENOS PRESSIONADA AJUDA RECUPERAÇÃO DA CONFIANÇA EM JULHO, APONTA FECOMÉRCIO BA, APONTA FECOMÉRCIO BA

 Volta das tensões geopolíticas pode limitar avanços nos próximos meses.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio BA, avançou 2,1% em julho, passando de 107,0 pontos em junho para 109,2 pontos — o maior crescimento mensal desde janeiro de 2026. Na comparação anual, o avanço é de 1,7%. O índice varia de 0 a 200 pontos — abaixo de 100 indica pessimismo e acima de 100, otimismo. O resultado interrompe a sequência de praticamente estabilidade, que se mantinha próximo a 107 pontos desde março e sinaliza uma melhora mais consistente da confiança das famílias de Salvador, ainda que o cenário de fundo siga exigindo atenção.

Os destaques positivos do mês foram expressivos. A Perspectiva de Consumo avançou 5,6%, para 116,4 pontos, a maior alta do componente em 2026. O Nível de Consumo Atual subiu 5,3%, cruzando a linha de 100 pontos e chegando a 100,9 — saindo do campo pessimista pela primeira vez em vários meses, o que indica que as famílias voltaram a perceber o consumo atual como equivalente ao de um ano atrás. O Acesso ao Crédito avançou mais 1,6%, para 106,2 pontos, mantendo a trajetória de alta pelo terceiro mês consecutivo, ainda que o crescimento do endividamento em Salvador siga como um ponto de atenção. O Momento para Duráveis também subiu 2,9%, para 69,2 pontos — o maior nível em pelo menos um ano para esse componente, ainda que permaneça em campo pessimista.

O Emprego Atual seguiu como o componente mais bem avaliado, com 130,5 pontos, leve alta de 0,4% em relação a junho. A Renda Atual avançou 0,5%, para 122,5 pontos, acumulando alta de 1,4% na comparação anual — sinal de que a pressão inflacionária sobre o poder de compra cedeu marginalmente, ao menos na percepção das famílias. A Perspectiva Profissional recuou 0,2%, para 118,7 pontos, e acumula queda de 9,5% em 12 meses — a maior deterioração anual entre todos os componentes. Como já observado em meses anteriores, esse movimento reflete mais um ajuste de otimismo num mercado de trabalho já aquecido do que um olhar pessimista sobre o futuro.

Na análise por faixa de renda, julho trouxe uma inversão interessante. As famílias com renda até 10 salários mínimos avançaram 2,4%, chegando a 105,6 pontos — o maior resultado do grupo em vários meses —, enquanto as famílias com renda superior a 10 SM recuaram levemente 0,4%, para 147,4 pontos. A diferença entre os grupos reduziu-se para pouco mais de 41 pontos, ante quase 45 pontos em junho. Ainda que a distância siga elevada, o movimento aponta que a melhora de julho foi mais democratizada, com as famílias de menor renda puxando a recuperação.

O resultado de julho é positivo e representa o melhor desempenho mensal do ICF desde o início do ano. A inflação menos pressionada tem permitido algum alívio no orçamento das famílias, impulsionando a confiança. Contudo, a cautela segue necessária. A volta das tensões geopolíticas — com os riscos associados ao conflito no Oriente Médio — pode pressionar novamente os preços de energia e de alimentos nos próximos meses, limitando os avanços conquistados.

ICF | JULHO 2026
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