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ICF | OUTUBRO 2026

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3 de novembro de 2026

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR MELHORA EM OUTUBRO, MAS SEGUE INSUFICIENTE PARA ANIMAR O VAREJO, AVALIA FECOMÉRCIO BA

ICF sobe 1,3% e atinge 109,7 pontos em Salvador, maior nível desde janeiro. Oscilação da inflação traz alívio momentâneo sem sustentar avanço consistente.

 

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Salvador registrou 109,7 pontos em outubro de 2026, ligeira alta de 1,3% frente a setembro (108,2 pontos). Embora o resultado represente o melhor nível desde janeiro, quando o indicador alcançou 112,0 pontos, o movimento não altera o quadro que se desenha desde março: nos últimos oito meses, o ICF tem oscilado em torno dos 108 pontos, sem conseguir se descolar desse patamar de forma consistente. Na comparação com outubro de 2025 (104,1 pontos), o avanço acumulado é de 5,3%, confirmando que houve uma recuperação moderada ao longo dos últimos doze meses, mas que perdeu fôlego ao longo do segundo trimestre.

Entre as faixas de renda, ambas apresentaram variação positiva no mês. As famílias com rendimento até 10 salários mínimos registraram alta de 1,4%, passando de 105,0 para 106,5 pontos, com ganho anual de 5,7%. Já as famílias com renda acima de 10 SM subiram 0,9%, de 142,2 para 143,5 pontos, após dois meses consecutivos de recuo. Mesmo com a recuperação parcial, este grupo segue distante dos patamares de meados do ano, quando superou os 147 pontos, o que pode refletir uma maior sensibilidade às incertezas do cenário macroeconômico, sobretudo em relação ao ritmo mais modesto da economia e impacto dos juros altos nos negócios.

Seis dos sete subíndices avançaram em outubro, sem que, no entanto, o conjunto configure uma inflexão relevante no comportamento do indicador. O Nível de Consumo Atual subiu 1,8%, para 103,9 pontos, acumulando a maior alta anual entre os componentes (14,3%). A melhora gradual e relativa da inflação ao longo do último ano tem contribuído para que as famílias se sintam um pouco mais confortáveis para consumir. A Perspectiva Profissional cresceu 2,2%, atingindo 118,0 pontos, mas ainda carrega o maior recuo anual do índice (-7,3%), refletindo a persistente desconfiança das famílias quanto às oportunidades futuras de emprego e renda.

A Renda Atual avançou 1,6%, para 123,9 pontos, mantendo-se como um dos componentes mais consistentes ao longo do ano, com alta acumulada de 7,1% em doze meses. O Emprego Atual subiu 1,0% e segue na liderança absoluta entre os subíndices (132,5 pontos), indicando que a percepção sobre o mercado de trabalho permanece positiva. O Acesso ao Crédito avançou 1,7%, para 106,3 pontos, com ganho anual de 11,7%, sugerindo que as famílias percebem condições um pouco mais favoráveis para obter financiamentos. O Momento para Duráveis, apesar da alta de 1,7%, segue em terreno pessimista (67,9 pontos), evidenciando que o custo elevado do crédito e o comprometimento da renda ainda inibem a disposição para a compra de bens de maior valor.

O único recuo ficou por conta da Perspectiva de Consumo, que cedeu -0,5%, de 115,8 para 115,2 pontos — variação dentro da margem de estabilidade técnica, mas que, pelo segundo mês consecutivo, reforça a cautela das famílias quanto ao consumo nos meses à frente.

O quadro geral permanece, portanto, muito semelhante ao que vem sendo observado desde março. A inflação tem apresentado comportamento irregular — com meses de maior e menor pressão —, o que gera sensações pontuais de alívio que se refletem nos indicadores de confiança, sem configurar uma tendência de melhora sustentada. Com juros elevados e sinais de arrefecimento no mercado de trabalho, a intenção de consumo das famílias de Salvador tende a seguir contida neste patamar nos próximos meses.

 

 

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