O Preço do Populismo Eleitoral

Por Kelsor Fernandes, Presidente do Sistema Comércio BA
É difícil compreender como um País que ainda convive com tantos problemas estruturais, uma dívida pública nas alturas, milhões de famílias endividadas e reformas fundamentais por realizar possa tratar uma questão tão relevante quanto a redução da jornada de trabalho de forma apressada, especialmente em pleno período eleitoral.
Não se trata de ser contra a melhoria das condições de vida do trabalhador. Muito pelo contrário. Todos desejamos um Brasil mais justo, com melhores salários, mais qualidade de vida e oportunidades para todos. Entretanto, conquistas sociais precisam estar sustentadas em bases econômicas sólidas, capazes de assegurar sua continuidade sem comprometer a geração de empregos, a produtividade e a sobrevivência das empresas.
Reduzir a jornada de trabalho sem um debate aprofundado sobre seus impactos econômicos, especialmente para as micro e pequenas empresas, responsáveis por parcela expressiva dos empregos no País, pode significar aumento de custos, perda de competitividade, pressão sobre os preços e até redução de postos de trabalho.
O que preocupa é perceber que decisões dessa magnitude possam ser conduzidas mais pela conveniência do calendário eleitoral do que por um verdadeiro compromisso com o futuro do Brasil.
O país precisa de coragem para enfrentar seus problemas estruturais, responsabilidade na condução das contas públicas e políticas que estimulem o investimento, a produtividade e o crescimento sustentável.
Não podemos continuar confundindo medidas populares com políticas públicas responsáveis. O benefício político imediato de quem está no poder não pode se sobrepor aos interesses permanentes da sociedade.
O Brasil precisa de menos populismo, mais planejamento e, sobretudo, mais compromisso com as próximas gerações.
Afinal, governar não é apenas conquistar aplausos no presente. É ter responsabilidade pelas consequências das decisões que determinarão o nosso futuro.