PEIC | SETEMBRO 2026
INADIMPLÊNCIA EM SALVADOR RECUA PARA 24,4% EM SETEMBRO E INTERROMPE DUAS ALTAS CONSECUTIVAS, APONTA FECOMÉRCIO BA.
Arrefecimento da inflação na região contribui para maior controle das contas das famílias soteropolitanas.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio BA, registra recuo na inadimplência das famílias de Salvador em setembro. O percentual de famílias com contas em atraso caiu de 25,0% em agosto para 24,4% em setembro, interrompendo duas altas consecutivas observadas em julho e agosto. São 248,5 mil famílias inadimplentes na capital baiana, cerca de 6,6 mil a menos do que no mês anterior. Na comparação anual, o indicador ficou levemente abaixo dos 25,0% registrados em setembro de 2025. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, a inadimplência recuou de 27,0% para 26,2%. Já entre as de renda superior a 10 salários mínimos, o indicador se manteve estável em 8,8% — patamar ainda significativamente acima dos 6,5% de setembro de 2025.
Apesar do recuo na taxa de inadimplência, o perfil das famílias com contas em atraso merece atenção. O tempo médio de atraso subiu para 67,7 dias em setembro, dando sequência à trajetória de alta iniciada em junho, quando estava em 64,1 dias. O percentual de famílias com dívidas em atraso há mais de 90 dias ficou em 46,7%, patamar próximo ao de agosto (47,0%) e bem acima dos 42,7% de junho. Entre os inadimplentes, 44,4% declaram que não terão condições de quitar suas dívidas. Ou seja, embora o número de famílias inadimplentes tenha diminuído, aquelas que permanecem com contas em atraso apresentam um perfil mais delicado, com dificuldade crescente de acertar as contas — o que pode ser um limitador para uma redução mais expressiva da inadimplência nos próximos meses.
O endividamento recuou de 77,4% em agosto para 76,6% em setembro, com 780,7 mil famílias com algum tipo de dívida em Salvador — cerca de 8,3 mil a menos do que no mês anterior. Apesar da queda mensal, o indicador acumula onze meses consecutivos acima de 75% e avançou 3,7 pontos percentuais na comparação com setembro de 2025, quando era de 72,9%. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o endividamento recuou de 80,0% para 79,2%, saindo da marca inédita atingida em agosto, mas ainda mantendo praticamente 8 em cada 10 famílias dessa faixa com algum tipo de dívida. Entre as de renda acima de 10 salários mínimos, o indicador caiu de 50,0% para 48,8%.
A composição das dívidas mantém o cartão de crédito como modalidade dominante, presente em 91,7% dos endividados. O crédito consignado avançou para 7,8% em setembro, o maior nível desde o final de 2022, acumulando alta praticamente ininterrupta desde meados de 2025. O crédito pessoal, por sua vez, saltou para 7,8% — há um ano, esse indicador era de apenas 4,6%, ou seja, quase dobrou em doze meses. Essas duas modalidades, tipicamente de curto e médio prazo, reforçam a leitura de que parte das famílias segue recorrendo ao crédito não para projetos ou investimentos, mas para fazer frente a despesas correntes pressionadas pela inflação. O financiamento de casa ficou em 3,0%, ainda em patamar reduzido, reflexo de uma demanda por crédito de longo prazo contida pelo nível dos juros.
O perfil do endividado soteropolitano também traz sinais de atenção. O prazo médio de comprometimento com dívidas avançou para 6,8 meses em setembro, ante 6,5 meses em setembro de 2025. O comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 31,8%, estável em relação a agosto, mas 1,3 ponto percentual acima de setembro do ano passado. Além disso, 27,4% das famílias endividadas comprometem mais da metade de sua renda com o pagamento de dívidas, proporção que era de 25,7% há um ano.
Os dados de setembro trazem um alívio após dois meses de piora nos indicadores de inadimplência, em linha com o arrefecimento gradual da inflação na região. Ainda assim, o cenário segue desafiador: o endividamento permanece em patamar historicamente elevado, o crédito de curto prazo continua sendo usado como instrumento de recomposição do orçamento e o perfil dos inadimplentes revela dificuldade crescente de regularização. A desaceleração dos preços ao consumidor, embora positiva, ainda não se traduziu em alívio efetivo no orçamento das famílias, especialmente as de menor renda. A continuidade desse arrefecimento será determinante para que os indicadores da PEIC retomem, de forma mais consistente, uma trajetória de melhora.